A presidente da Petrobras (PETR4), Magda Chambriard, declarou nesta quarta-feira (3) que o conflito no Oriente Médio evidenciou a importância do petróleo para a segurança energética global. Segundo ela, substituir essa fonte sem um planejamento adequado pode comprometer o desenvolvimento do Brasil.
Petróleo no centro do debate
A guerra entre Estados Unidos e Irã recolocou o petróleo como protagonista nas discussões energéticas, justamente quando o mundo debatia sua substituição. Para Chambriard, o conflito escancarou a tensão entre transição energética e segurança energética, e o Brasil precisa equilibrar esses dois aspectos antes de acelerar a saída do petróleo.
Adição energética
“Não acreditamos que seja bom jogar fora o que temos construído em prol de um novo que custa caro e muito provavelmente não cabe no bolso, pelo menos de forma tão acelerada, da maioria das nações do mundo”, afirmou a executiva durante o Fórum Jurídico de Lisboa. Ela defendeu o conceito de “adição energética”, em vez de substituição abrupta.
Matriz energética brasileira
O Brasil chegou a 2026 com 54% da matriz energética composta por renováveis, resultado da inserção do etanol nos anos 1970 e do biodiesel nos anos 2000, processos liderados pela Petrobras. Ao mesmo tempo, o petróleo segue como principal produto de exportação do país. A empresa registrou produção recorde de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia no primeiro trimestre, novo máximo histórico.
Custos da transição
Chambriard destacou que seriam necessários R$ 1,2 trilhão por ano nos próximos 25 anos para realizar a transição na velocidade desejada, enquanto o Brasil investe R$ 2 trilhões anuais em todas as áreas, de saúde a infraestrutura. “É razoável que a gente gaste mais da metade de todo o investimento nacional ao longo de 25 anos para substituir uma energia que hoje é o nosso primeiro produto de exportação?”, questionou.
Impactos do conflito
Sobre o conflito no Oriente Médio, a presidente avaliou que a guerra tende a acelerar paradoxalmente a transição para novas fontes. “Vai acelerar essa transição, a inserção de novas tecnologias, de projetos de pesquisa e desenvolvimento em prol de um novo patamar energético no mundo. Só que isso ainda vai demorar um pouquinho, porque a Guerra do Golfo Pérsico entrou no meio dessa trajetória”, disse.
Os efeitos sobre os preços devem persistir mesmo após o fim do conflito. “Se a guerra acabasse hoje, em até quatro anos, muito provavelmente a gente voltaria no mínimo para aquele patamar de 60 dólares por barril”, afirmou.
Conclusão
“Se essa carroça for posta na frente dos bois, vai entrar”, finalizou a executiva, defendendo que plano climático e segurança energética precisam caminhar juntos, sem que um inviabilize o outro.



