Imigrante de Serra Leoa que viveu 6 meses em aeroporto de Belém consegue passagem para o Panamá
Imigrante de Serra Leoa em aeroporto de Belém consegue passagem

Fatmata Sessay, uma imigrante de 56 anos natural de Serra Leoa, passou seis meses vivendo no saguão do Aeroporto Internacional de Belém, no Pará, após ter seu passaporte roubado. Nesta segunda-feira (22), ela finalmente embarcou para o Panamá, onde reencontrará o filho, graças a uma passagem aérea fornecida pelo Ministério Público do Pará (MPPA) e a uma decisão judicial que garantiu a regularização de seus documentos.

Trajetória de dificuldades

A jornada de Sessay começou há cerca de um ano, quando deixou Serra Leoa em busca de melhores condições de vida. Durante o trajeto, sofreu dois assaltos, sendo um deles na fronteira entre Colômbia e Panamá, onde perdeu o passaporte. Sem os documentos, ficou retida em Belém, sem conseguir prosseguir viagem ou regularizar sua situação migratória.

Por seis meses, ela dormiu em bancos do aeroporto, dependendo de doações de alimentos e roupas de funcionários e passageiros. A situação só começou a mudar quando o caso ganhou repercussão na mídia local e chegou ao conhecimento da Defensoria Pública da União e do Ministério Público do Pará.

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Apoio judicial e jurídico

O MPPA, por meio da Promotoria de Direitos Humanos, ingressou com uma ação judicial para garantir a emissão de documentos provisórios e o fornecimento de passagem aérea. A Justiça Federal no Pará acatou o pedido, determinando que a União e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) prestassem assistência. Segundo o promotor responsável, “a situação de vulnerabilidade extrema exigia uma resposta imediata do Estado, assegurando o direito de ir e vir da imigrante”.

Com a decisão, Sessay obteve um passaporte de emergência emitido pela embaixada de Serra Leoa no Brasil, além de visto de trânsito para o Panamá. A passagem aérea, custeada pelo MPPA, permitiu que ela embarcasse na manhã desta segunda-feira.

Reencontro familiar

No Panamá, Fatmata será recebida pelo filho, que vive no país há três anos e trabalha como motorista de aplicativo. Em entrevista antes do embarque, ela afirmou: “Estou muito feliz. Finalmente vou poder abraçar meu filho e recomeçar minha vida. Agradeço a todos que me ajudaram”. O reencontro marca o fim de uma odisseia que incluiu meses de incerteza e privações.

O caso de Sessay evidencia os desafios enfrentados por imigrantes em situação irregular no Brasil, especialmente aqueles que perdem documentos durante o trajeto. Segundo dados da Polícia Federal, o Aeroporto de Belém registrou ao menos 12 casos de imigrantes retidos por problemas documentais nos últimos dois anos, muitos dos quais em condições análogas.

Perspectivas para o futuro

Com a chegada ao Panamá, Sessay pretende solicitar residência permanente e buscar emprego formal. O filho já conseguiu um pequeno apartamento para morarem juntos. “Ela passou por muito sofrimento, mas agora terá uma vida digna”, disse o filho, que preferiu não se identificar.

O Ministério Público do Pará informou que continuará monitorando o caso para garantir que os direitos da imigrante sejam respeitados, e espera que a ação sirva de precedente para outros imigrantes em situação similar.

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