O advogado goianiense Matheus Menezes Matos, de 25 anos, teve negado o recurso administrativo apresentado após ser reprovado novamente nos exames biofísicos do concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). O resultado definitivo foi divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora do certame, que manteve o candidato como "inapto sub judice PcD".
Matheus ganhou repercussão nacional após denunciar ter sido vítima de discriminação durante o Teste de Aptidão Física (TAF). Ele tem nanismo e questionou a aplicação dos testes físicos sem adaptações para candidatos com deficiência.
Ao g1, o advogado afirmou que já esperava a decisão da banca. "Eu já esperava a recusa da banca no recurso administrativo, como quase na maioria das vezes acontece. Eu ainda não analisei a resposta deles, então não decidi o que irei fazer adiante", disse.
Histórico do caso
Matheus havia sido eliminado inicialmente na etapa de exames biofísicos do concurso. Segundo ele, um dos testes exigia salto mínimo de 1,65 metro na prova de impulsão horizontal, exigência que considerava incompatível com sua condição física. Na época, o candidato afirmou que solicitou adaptações razoáveis à banca organizadora e apresentou laudos médicos, mas o pedido não foi atendido.
Após a eliminação, ele recorreu à Justiça. Em março deste ano, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a reprovação e determinou a reaplicação do exame biofísico com adaptações para pessoa com deficiência. A FGV realizou uma nova avaliação e informou que cumpriu integralmente a decisão judicial.
Mesmo após refazer o teste, Matheus voltou a ser considerado inapto. Diante da nova reprovação, o advogado apresentou recurso administrativo à banca. O pedido foi analisado e negado, mantendo o resultado definitivo divulgado nesta semana.
Repercussão nacional
Antes da controvérsia envolvendo o teste físico, Matheus havia sido aprovado nas provas objetiva, discursiva e oral, além dos exames biomédicos do concurso. Ao tornar o caso público, o advogado afirmou que decidiu denunciar a situação para defender os direitos das pessoas com deficiência em concursos públicos.
"Eu decidi fazer essa denúncia para dar voz aos nossos direitos, que foram desrespeitados. Não foi só comigo, foram vários candidatos PcD", afirmou em entrevista anterior ao g1.
O caso também motivou manifestações do Instituto Nacional de Nanismo, que criticou a aplicação de critérios físicos sem avaliação individualizada para candidatos com deficiência.
Atualmente, a participação de Matheus no concurso permanece sub judice, ou seja, ainda depende de decisões judiciais. O advogado informou que vai analisar a decisão da banca antes de definir quais medidas pretende adotar.



