Irã inicia funeral de três dias para o aiatolá Ali Khamenei
Irã inicia funeral de três dias para Ali Khamenei

O Irã iniciou nesta quinta-feira (2) o funeral de três dias do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo morto há quatro meses em um ataque atribuído a Israel e Estados Unidos. Imagens da chegada do caixão a um salão religioso xiita foram divulgadas pela imprensa estatal.

Cerimônias e mobilização popular

Os clérigos que comandam o Irã preparam dias de cerimônias fúnebres para Khamenei, com expectativa de reunir multidões para demonstrar apoio à República Islâmica. Após as cerimônias fechadas, estão previstas grandes procissões em Qom e Mashhad, além de homenagens no Iraque. O governo organizou transporte, hospedagem e alimentação para mobilizar milhões de apoiadores.

“A grande participação do público na procissão fúnebre do líder martirizado e dos outros mártires será, na prática, mais um referendo para a República Islâmica”, declarou o aiatolá Mohammad Saidi, líder da oração de sexta-feira em Qom, à mídia estatal.

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Sucessão e crise de apoio

A morte de Khamenei e a sucessão de seu filho, Mojtaba, como terceiro líder supremo marcam um momento histórico nos 47 anos da República Islâmica. Mojtaba, gravemente ferido no ataque que matou o pai, não aparece em público desde o início da guerra. Analistas apontam que o apoio popular ao regime vem enfraquecendo, com muitos iranianos cansados de décadas de sanções e repressão.

Durante protestos contra a inflação em dezembro e janeiro, manifestantes gritaram palavras de ordem pedindo a morte de Khamenei. As autoridades reprimiram os protestos com tiros, deixando milhares feridos. Nos primeiros dias da guerra, moradores de Teerã relataram sons de comemoração vindos de casas e apartamentos. Agora, a capital vive um clima de tensão e silêncio.

Contraste com o funeral de Khomeini

O cenário atual contrasta com o funeral do aiatolá Ruhollah Khomeini, líder da Revolução Islâmica, quando milhões acompanharam o cortejo em prantos. Na ocasião, parte da multidão subiu na ambulância que levava o corpo, e uma perna de Khomeini apareceu sob o sudário. Samira, de 35 anos, mulher de um dono de restaurante em Teerã, disse que a família não pretende participar das cerimônias e planeja deixar a cidade por uma semana. “É como se a vida tivesse parado e houvesse basijis por toda parte”, afirmou, referindo-se à milícia voluntária afiliada à Guarda Revolucionária.

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