O Departamento de Guerra dos Estados Unidos adicionou uma série de grandes empresas chinesas à lista de empresas ligadas às Forças Armadas (CMCs, em inglês), que reúne companhias consideradas vinculadas ao aparato militar da China ou à estratégia de fusão entre os setores civil e militar do país. Entre os nomes mais conhecidos estão Alibaba, Baidu, BYD, Tencent e Nio, além da fabricante de sensores para veículos autônomos Hesai. A medida consta de um aviso que será publicado oficialmente no Federal Register, o diário oficial dos EUA, em 10 de junho.
O documento, disponibilizado antecipadamente nesta segunda-feira, 8, decorre da Seção 1260H da Lei de Autorização de Defesa Nacional dos EUA. Segundo o Pentágono, a lista identifica empresas que operam direta ou indiretamente nos Estados Unidos e que mantêm vínculos com órgãos governamentais chineses, o Exército de Libertação Popular (PLA, na sigla em inglês) ou iniciativas de integração entre capacidades comerciais e militares.
Contexto geopolítico e implicações
A inclusão na lista não equivale automaticamente a sanções ou proibição de negócios nos EUA. No entanto, o status costuma aumentar o escrutínio regulatório e pode influenciar decisões de fornecedores e parceiros comerciais. A medida ocorre em meio a tensões crescentes entre as duas maiores economias do mundo, com disputas comerciais e tecnológicas se intensificando.
Detalhamento das empresas incluídas
Entre as companhias, o Pentágono afirmou que a Alibaba possui afiliações indiretas com órgãos estatais chineses e com o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT). A Baidu foi classificada por critérios semelhantes. A BYD, uma das maiores fabricantes globais de veículos elétricos, foi descrita como direta e indiretamente afiliada à Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais da China (SASAC) e indiretamente vinculada ao MIIT. Já a Tencent foi apontada como indiretamente afiliada ao PLA, enquanto a Nio foi descrita como ligada, de forma direta e indireta, à SASAC. A Hesai, por sua vez, foi associada ao MIIT, à SASAC e ao PLA.
A lista também inclui outras empresas de destaque internacional, como CATL, Huawei, DJI, Hikvision, SenseTime, SMIC, China Mobile, China Telecom, China Unicom, CNOOC, COSCO Shipping, COMAC, AVIC, BGI Group, TP-Link, Trina Solar, WuXi AppTec e Yangtze Memory Technologies (YMTC), entre dezenas de outras companhias chinesas. Essas empresas atuam em setores como tecnologia, telecomunicações, energia, aviação e biotecnologia, refletindo a abrangência da medida.
Reações e próximos passos
Até o momento, as empresas mencionadas não se pronunciaram oficialmente. Analistas apontam que a inclusão na lista pode gerar incertezas para investidores e parceiros internacionais, embora não represente uma proibição imediata. O governo chinês criticou a medida, classificando-a como interferência indevida e um ato que prejudica o comércio global. A expectativa é que o assunto seja debatido em fóruns internacionais, enquanto as empresas avaliam possíveis recursos legais.



