UE retira Brasil de lista de exportação de carnes; frigoríficos caem na Bolsa
UE retira Brasil de lista de carnes; frigoríficos caem

A decisão da União Europeia (UE) de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal gerou impacto imediato no mercado de ações brasileiro. Os papéis de frigoríficos registraram queda expressiva no Ibovespa nesta segunda-feira (8). As ações da MBRF (MBRF3) figuraram entre as maiores perdas do dia, com recuo de 2,66%, cotadas a R$ 15,34 às 16h39. No mesmo horário, os ativos da Minerva (BEEF3) cederam 1,36%, negociados a R$ 3,63.

Na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), os papéis da JBS (JBS) caíram 4,82%, para US$ 11,65. Já na B3, os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) da empresa, que representam ações negociadas no exterior sob o ticker JBSS32, recuaram 3,78%, a R$ 60,14. A medida da UE também foi analisada pela Genial Investimentos, que avaliou seus efeitos sobre o setor frigorífico.

Impacto administrável, mas com riscos de margem

Para a Genial Investimentos, a restrição imposta pela União Europeia deve ter um impacto administrável para os frigoríficos brasileiros, embora os efeitos variem entre as empresas do setor. O analista Luca Vello destacou que o principal risco não está na perda de volume exportado, mas sim na deterioração do mix de vendas e das margens. Isso porque a Europa é considerada um mercado premium para as proteínas brasileiras. “O ponto sensível é de mix e margem, não de volume. A perda de rentabilidade por tonelada tende a ser maior do que a perda efetiva de receita”, afirmou o relatório.

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Entre as empresas analisadas, a Minerva foi apontada como a mais defensiva. Segundo a corretora, a exposição direta das exportações brasileiras para a UE representa 3,4% da receita bruta da empresa nos últimos 12 meses. Como a companhia possui uma ampla plataforma de produção na América do Sul, boa parte dos volumes pode ser realocada para plantas localizadas fora do Brasil. A recomendação para as ações da Minerva permanece de compra, com preço-alvo de R$ 4,75.

Para a JBS, a Genial considera que o tema gera mais ruído do que uma mudança estrutural na tese de investimento. A exposição estimada ao fluxo Brasil-União Europeia representa cerca de 1% da receita consolidada da companhia, que conta com operações relevantes nos Estados Unidos, Austrália e Europa. A corretora mantém recomendação de compra para os BDRs da companhia, com preço-alvo de R$ 93,20.

Já a MBRF é vista como a empresa com maior sensibilidade relativa ao veto, principalmente por meio da BRF. A exposição estimada ao mercado europeu corresponde a cerca de 2,5% da receita consolidada, sendo 1% ligado ao negócio de carne bovina e 1,5% ao segmento de aves. Segundo a Genial, enquanto a operação de bovinos pode ser parcialmente redirecionada para unidades no Mercosul, a BRF concentra sua produção de frango no Brasil e não possui capacidade equivalente em outros países da região para substituir os embarques destinados à Europa. A corretora tem recomendação de compra para MBRF, com preço-alvo de R$ 23.

Governo busca reverter veto

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo brasileiro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva farão um “grande empenho para equacionar o problema” da carne brasileira com a União Europeia. “O governo vai se empenhar nesse tema. Houve uma retirada do Brasil da lista e queremos que a União Europeia recoloque o Brasil na lista de fornecedores de todas as carnes, tanto do frango quanto bovina. Há um trabalho sendo feito para retirada desse embargo”, declarou Alckmin a jornalistas, após participar da abertura da Bahia Farm Show, nesta segunda-feira.

A medida da União Europeia valerá a partir de 3 de setembro. O bloco alega que o Brasil não forneceu as garantias adicionais de cumprimento do regulamento do uso de antimicrobianos na produção animal. A Genial Investimentos avalia que o cenário-base continua sendo de impacto limitado para os frigoríficos, diante da janela de quase três meses até a entrada em vigor da medida e das negociações diplomáticas em andamento entre Brasil e União Europeia.

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