Keiko Fujimori vence eleição no Peru após três derrotas consecutivas
Keiko Fujimori vence eleição presidencial no Peru (03.07.2026)

Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, alcançou vantagem irreversível e deve ser eleita a nova presidente do Peru, após três derrotas eleitorais consecutivas. Aos 51 anos, ela assume a liderança da Casa de Pizarro, a sede do Executivo peruano, consolidando-se como figura inevitável da política do país andino há mais de 20 anos. A vitória coroa mais de 15 anos de tentativas de chegar ao principal cargo do país.

Resultado apertado e reação

Segundo a apuração do Júri Nacional de Eleições (JNE), Keiko venceu Roberto Sánchez por uma margem estreita: 50,135% a 49,865%. A candidata derrotada em 2011, 2016 e 2021, que parecia condenada a ser a eterna segunda colocada, finalmente alcançou a presidência. Em seu círculo próximo, é descrita como "perseverante, determinada e disciplinada". "Cada golpe que recebeu na vida não a quebrou; deixou-a ainda mais forte do que qualquer um poderia imaginar", afirmou Miguel Torres, que será seu vice-presidente, à AFP.

Trajetória política e controvérsias

Keiko está na política desde a adolescência. Formada em administração de empresas nos Estados Unidos, foi eleita para o Congresso em 2006 com a maior votação já registrada para um parlamentar peruano. Passou anos sob investigação por suposto financiamento irregular de campanha, caso arquivado no ano passado. Entre 2018 e 2020, foi mantida duas vezes em prisão preventiva, totalizando quase um ano e meio na cadeia, investigada por lavagem de dinheiro no escândalo da Odebrecht, no âmbito da operação Lava-Jato.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Discurso de segurança e nostalgia do pai

Na campanha, Keiko explorou o contexto de violência no Peru, com aumento de homicídios e extorsões. Prometeu medidas de segurança rígidas, leis antiterroristas mais duras e um papel ampliado para os militares no combate ao crime. "Vou assumir a liderança para combater os criminosos", afirmou recentemente. O discurso mais duro e o alinhamento a ideias do pai, que na década de 1990 derrotou guerrilheiros do Sendero Luminoso, geraram uma "nova Keiko", reduzindo sua rejeição. Segundo o Ipsos Peru, 40% dos eleitores afirmaram antes do segundo turno que não votariam nela, índice menor que os 59% do primeiro turno.

Desafios no Legislativo e herança familiar

Uma de suas primeiras tarefas será consolidar base no Legislativo. O Força Popular somou 22 senadores e 45 deputados; com aliados, a direita tem 30 cadeiras no Senado e 63 na Câmara. Keiko é vista como uma "marca" bem posicionada, segundo o cientista político Jorge Aragón. Alberto Fujimori, morto em 2024, governou em tempos convolutos, derrotou guerrilheiros, controlou a hiperinflação, mas foi condenado por corrupção e violações de direitos humanos. Keiko não conseguiu se desvencilhar das luzes e sombras do sobrenome. "Sinto falta dele", disse à AFP na véspera da eleição. "Mas aonde quer que eu vá, me lembram e me contam histórias."

Imagem conciliadora e apelido

Vista como política beligerante, Keiko busca suavizar a imagem. "Em minha carreira política, eu também cometi erros, aprendi com eles; mas também me levantei com muito mais força", disse. Mãe de duas jovens, de 18 e 16 anos, seu nome em japonês significa "filha abençoada". É conhecida popularmente como "a chinesa", apelido da escola por seus olhos puxados.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar