Cuba anunciou o maior pacote de reformas pró-mercado desde a Revolução de 1959, em resposta à grave crise econômica que assola o país e ao aumento da pressão dos Estados Unidos. O plano, divulgado nesta quinta-feira pelo governo cubano, contém 176 medidas que visam transformar a economia da ilha, incluindo a abertura de setores estratégicos ao investimento privado e estrangeiro.
Medidas abrangentes para recuperar a economia
Entre as principais mudanças, destacam-se a permissão para que empresas privadas contratem um número maior de funcionários e a autorização de participação estrangeira em áreas como agricultura, turismo e sistema bancário. Essas reformas representam a maior alteração no modelo econômico cubano em mais de seis décadas, sinalizando uma guinada em direção ao mercado.
Contexto de crise e pressão internacional
A economia cubana enfrenta uma das piores crises de sua história, agravada pelas sanções dos EUA, pela pandemia de Covid-19 e por ineficiências internas. O governo de Miguel Díaz-Canel espera que as reformas atraiam investimentos, gerem empregos e aliviem a escassez de bens básicos. No entanto, as medidas ainda dependem de aprovação do Parlamento cubano, o que deve ocorrer nas próximas semanas.
Especialistas apontam que o pacote é um reconhecimento tácito do fracasso do modelo centralizado, mas alertam para os desafios de implementação em um país com forte burocracia e resistência política interna. A abertura ao capital estrangeiro em setores antes exclusivos do Estado é vista como um passo ousado, mas necessário para reverter o declínio econômico.
Em paralelo, o governo cubano busca melhorar as relações com a comunidade internacional, especialmente com a União Europeia e países latino-americanos, na tentativa de diversificar seus parceiros comerciais e reduzir a dependência de aliados tradicionais como Venezuela e China.



