As urnas fecharam neste domingo (21) no segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia, que definirá os rumos do país latino-americano pelos próximos quatro anos: a continuidade de um governo de esquerda ou uma guinada à direita. O pleito se encerrou às 18h no horário de Brasília, segundo a agência de notícias AFP. Até a última atualização desta reportagem ainda não haviam sido publicadas pesquisas de boca de urna para apontar os rumos da votação.
Disputa entre esquerda e extrema direita
A eleição se tornou uma "queda de braço" entre o atual presidente do país, Gustavo Petro, e o presidente dos EUA, Donald Trump. O candidato apoiado por Petro é Iván Cepeda, de esquerda, enquanto o ultradireitista Abelardo de la Espriella teve apoio declarado do norte-americano. O resultado pode cimentar a onda de governos da direita na América Latina, já que Espriella liderava as pesquisas de intenção de voto antes do segundo turno e pode se juntar a países como Chile (Jorge Kast) e Bolívia (Rodrigo Paz).
Candidatos e propostas
O presidente Petro afirmou após votar neste domingo que respeitará o resultado das eleições, assim como Cepeda. O candidato esquerdista disse também que sua equipe fará uma "supervisão muito clara, rigorosa e minuciosa" da apuração. Cepeda, filósofo de 63 anos e senador veterano defensor dos direitos humanos, promete dar continuidade ao projeto político de Gustavo Petro. No primeiro turno, ele explorou os avanços sociais do atual governo, mas também herdou o desgaste por dificuldades no combate ao crime organizado.
Espriella, advogado de 47 anos e empresário sem experiência política, apresenta-se como um "salvador anti-establishment" e repete promessas de campanha de nomes da extrema direita da América Latina. Ele venceu o primeiro turno com propostas linha-dura para combater o crime organizado, cortar programas governamentais e impostos e revitalizar a exploração de petróleo. Também é cidadão naturalizado dos EUA, já viveu em Miami e é republicano registrado.
Segurança como tema central
"A segurança foi a questão central desta campanha, que levou à vitória de De La Espriella no primeiro turno", disse o analista político Eduardo Pizarro à Reuters. Pizarro afirma que a percepção de insegurança aumentou nas cidades, incluindo preocupações com extorsão e pequenos delitos, enquanto a expansão de grupos armados em áreas rurais afetou mais civis. Cepeda havia liderado as pesquisas antes do primeiro turno; a vitória de Espriella na primeira rodada surpreendeu tanto que Petro chegou a contestar o resultado, posteriormente reconhecido por Iván Cepeda.
Admirador das políticas de Trump e do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, Espriella promete uma ofensiva militar e a construção de 10 megaprisões. "No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei", afirmou Espriella. Já Cepeda aposta no caminho contrário: quer continuar as negociações de paz com grupos armados. Na sexta-feira (19), o governo colombiano divulgou a entrega de armas de cerca de cem guerrilheiros após tratativas com a gestão de Petro.
Economia e tensões políticas
Pesquisas de opinião apontam a violência como o principal fator de preocupação entre colombianos, à frente da economia, fragilizada pela pandemia e pelo aumento do déficit fiscal, apesar de o atual governo aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego. Espriella culpa Petro pelos problemas econômicos e de segurança e prometeu reduzir o tamanho do Estado em 40%, ampliar a base tributária e cortar impostos corporativos para promover o emprego no setor privado.
A contestação do primeiro turno aumentou as tensões e alimentou temores de que o governo Petro reivindique os resultados no caso de uma vitória de Espriella. O Tribunal Eleitoral da Colômbia pediu neste domingo que todas as partes respeitem o resultado. Autoridades temem que a contestação incentive protestos nas ruas e aumente episódios de violência que ocorreram durante o processo eleitoral. No ano passado, o candidato da direita à presidência, Miguel Uribe, um dos favoritos nas pesquisas, foi assassinado durante um comício.
Impacto regional
Caso De la Espriella vença, a onda que levou outros líderes de extrema direita à vitória na América Latina conquistaria seu maior triunfo até agora, isolando governos de esquerda na região e redesenhando as alianças geopolíticas do continente. O resultado pode respaldar um movimento que tem, entre seus principais representantes, Nayib Bukele (El Salvador), Javier Milei (Argentina) e José Antonio Kast (Chile).



