Cannes Lions 2026: Brasil tem 126 finalistas e festival reforça integridade
Cannes Lions 2026: Brasil tem 126 finalistas e foco em ética

O Cannes Lions começa nesta segunda-feira, 22, e segue até 26 de junho num dos mais interessantes desafios de seus 73 anos de história: provar sua relevância global após uma crise de confiança no ano passado. Na última edição, campanhas sem a devida validação de veracidade foram finalistas. Dentre essas campanhas, algumas das mais polêmicas eram brasileiras e ganharam Leões, retirados após a constatação de fraude. Tudo isso na edição em que o Brasil foi homenageado como “País criativo do ano”.

Novas regras de integridade

Tecnologias em geral têm protagonizado muitas das discussões sobre governança em festivais como o Lions. Inteligência artificial é uma das principais. Ferramenta cada vez mais inevitável, encará-la exige seriedade e assertividade. Para cumprir esses objetivos, o Lions implementou o Lions Integrity Handbook, um manual para assegurar a credibilidade dos trabalhos inscritos. O guia estabelece padrões éticos e processos de checagem humana e automatizada nos cases.

Os jurados aprenderam a utilizá-lo e incorporaram maior rigor às suas análises. Não à toa os shortlists diminuíram. Desse grupo de centenas de profissionais nos diversos júris do Lions, participam 30 brasileiros. Três deles são presidentes de júri: Rafael Pitanguy, chief creative officer global da VML, na categoria Brand Experience & Activation; Rafael Gil, CCO da Artplan, em Industry Craft; e Marcel Marcondes, global chief marketing officer da AB InBev, em Creative Brand.

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Novidades em categorias e IA

Aliás, essa categoria é também uma novidade de 2026. Creative Brand vem para reforçar a importância das marcas na excelência criativa. Mais um forte sinal da preocupação do festival em reforçar a conexão entre publicidade e eficiência nos negócios. A organização também passou a integrar IA à avaliação de qualidade de trabalhos. A nova subcategoria AI Craft visa premiar boas ideias que usam a tecnologia na sua concepção ou execução de forma agregadora.

Na programação, o tema também segue relevante, como já vinha acontecendo nos últimos anos. Destaque às palestras de executivos da OpenAI e Google DeepMind. Os seminários, também essenciais para manter o festival relevante, têm ganhado novas trilhas. Neste ano, o evento inaugura o Lions Sport, após ter criado em 2025 o B2B Summit e, no ano retrasado, o Lions Creators.

Cobertura do Estadão

O Estadão, representante oficial do Lions no Brasil há 25 anos, vai conferir o evento com equipe na França e profissionais em apoio direto do Brasil. A estratégia abrange conteúdos digitais, impresso, vídeo e redes sociais na atualização sobre os ganhadores de Leões e com análises sobre o maior encontro do mercado criativo global.

Brasil mais discreto nos shortlists

O Brasil começa o Lions 2026 mais discretamente. Nas shortlists (finalistas) anunciadas neste final de semana, 126 inscrições foram mencionadas. Menos 47% na comparação com 2025. Há também outro decréscimo: 41% menos inscrições brasileiras nesta edição. Isso se deve a dois motivos principais. O primeiro é que justamente pelo fato de o Brasil ter sido o “País Criativo” do ano passado, a comoção a respeito motivou maior número de delegados. Teve inclusive promoção estilo “compre uma credencial e ganhe a segunda” para participantes brasileiros. Logo, neste ano, caiu. Segundo, como o festival aumentou o rigor na verificação de cases, a medida de inscrições de muitos países caiu.

No sábado, 20, e domingo, o Lions divulgou os shortlists de 22 áreas. Entre as agências nacionais com mais menções, estão VML, AlmapBBDO, LePub, Gut, Future Brand, Artplan, Droga5. Também se destacam Atenas, David, Design Bridge and Partners, Drum, Lovely, Publicis Brasil e Wieden + Kennedy. Os anunciantes com destaque em campanhas brasileiras finalistas são Bradesco, Brahma, Coca-Cola, Doritos, Embratur, Grupo Pulsa, Heineken, Mercado Livre, O Boticário e Pedigree.

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Destaques nacionais

O País não tem finalistas em Creative Brand, categoria estreante em 2026, nem em Pharma. Mas se destacou em Industry Craft, com 18 finalistas, e Health & Wellness, com dez brasileiros nos shortlists. Um dos cases com nossas chances é a campanha “Amazônia”, da FutureBrand São Paulo para a Embratur, que criou a primeira identidade visual unificada para a Amazônia Legal. Destaque também à “Despedidas”, campanha de Dia das Mães da AlmapBBDO para O Boticário, que volta a colocar o Brasil na shortlist de Film. Anunciados em 11 de junho, Glass tem dois finalistas brasileiros. Na ocasião, o Brasil não apareceu nos shortlists de Innovation e Titanium.