O dinheiro das apostas esportivas, as chamadas bets, tornou-se uma fonte significativa de receita para clubes de futebol no Brasil, mas seu futuro é incerto diante da iminente regulamentação do setor. Especialistas apontam que, sem adaptação, os clubes podem perder milhões.
O cenário atual das bets no futebol
Atualmente, as bets movimentam bilhões de reais anualmente no Brasil, e os clubes de futebol são alguns dos principais beneficiários, seja por meio de patrocínios, parcerias ou participação nos lucros. Segundo dados da Associação Brasileira de Clubes (ABC), em 2023, os 20 maiores clubes do país receberam cerca de R$ 1,5 bilhão de empresas de apostas, um aumento de 30% em relação ao ano anterior.
No entanto, o governo federal está prestes a implementar uma regulamentação mais rígida para o setor, o que pode alterar drasticamente esse fluxo de dinheiro. O projeto de lei em tramitação no Congresso prevê regras mais claras para publicidade, tributação e prevenção ao vício em jogos.
Impactos da regulamentação nos clubes
A regulamentação pode reduzir o número de operadores no mercado, já que muitos podem não conseguir se adequar às novas exigências. Isso diminuiria a concorrência e, consequentemente, os valores pagos em patrocínios. "Os clubes precisam se preparar para um cenário de menor receita vinda das bets, a menos que diversifiquem suas fontes", afirma o economista esportivo João Paulo Silva, da Universidade de São Paulo.
Além disso, as novas regras podem proibir ou restringir a publicidade de apostas durante transmissões esportivas, o que afetaria diretamente a exposição das marcas e, por tabela, os contratos com os clubes. Estima-se que os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro possam perder até 40% da receita atual com bets se as restrições forem severas.
Estratégias de adaptação dos clubes
Diante desse cenário, alguns clubes já buscam alternativas. O Flamengo, por exemplo, anunciou recentemente a criação de uma plataforma própria de apostas, visando manter o controle sobre a receita. "Queremos garantir que, independentemente das regras, tenhamos uma fonte sustentável de renda", disse o diretor de marketing do clube, Marcos Braz.
Outros clubes estão investindo em parcerias com empresas de tecnologia para desenvolver soluções de engajamento de torcedores, como tokens e NFTs, que possam substituir parte da receita perdida. A tendência é que o mercado de apostas esportivas se torne mais profissional e menos dependente de patrocínios de curto prazo.
O papel do governo e da sociedade
A regulamentação das bets é vista como necessária para coibir a lavagem de dinheiro e proteger os consumidores. No entanto, o governo também precisa considerar o impacto econômico nos clubes, que geram empregos e movimentam a economia local. "É um equilíbrio delicado entre regulamentar e não sufocar um setor que já é uma realidade no esporte", pondera a deputada federal Maria do Rosário, relatora do projeto de lei.
Enquanto a regulamentação não é aprovada, os clubes seguem aproveitando a bonança, mas com um olho no futuro. O dinheiro das bets ainda é incerto, e o futebol brasileiro pode estar prestes a viver uma nova realidade financeira.



