A 'remada viking' executada pela torcida norueguesa na Copa do Mundo 2026 tornou-se febre global, mas também reacendeu um debate profundo sobre o passado da Noruega e a apropriação de símbolos nórdicos por grupos de extrema-direita.
Coreografia viral e controvérsia
Durante os jogos da seleção norueguesa, torcedores realizam movimentos sincronizados que imitam remadas, enquanto o jogador Erling Haaland compartilhou uma foto vestido como viking nas redes sociais. A imagem rapidamente se espalhou, mas especialistas e críticos apontam que a exaltação da figura viking carrega conotações problemáticas.
Raízes históricas e uso político
A figura do viking, com raízes no século XIX, faz parte da identidade nacional norueguesa, mas também é associada a um passado de violência e pilhagem. Nas últimas décadas, grupos de extrema-direita passaram a adotar símbolos nórdicos, como runas e capacetes com chifres, para promover narrativas de supremacia branca. A 'remada' foi criticada por alguns setores que veem nela uma romantização desse legado.
Posição da federação norueguesa
A Federação Norueguesa de Futebol defendeu a coreografia, afirmando que 'a remada representa comunidade, força e coragem, valores positivos que unem nossa torcida'. Segundo a entidade, não há intenção de associar o gesto a ideologias extremistas. No entanto, historiadores como Lars Andersen, da Universidade de Oslo, alertam: 'O uso acrítico de símbolos vikings pode alimentar estereótipos e ser cooptado por movimentos radicais'.
Reações dentro e fora do país
Nas redes sociais, o debate se intensificou. Enquanto muitos torcedores celebram a criatividade, outros pedem maior reflexão sobre o significado histórico. A polêmica também chegou ao parlamento norueguês, onde parlamentares de esquerda questionaram se a federação deveria incentivar símbolos mais inclusivos. Até o momento, a federação não anunciou mudanças na coreografia.



