O confronto entre República Democrática do Congo e Inglaterra na Copa do Mundo de 2026, marcado para este mês, reacendeu controvérsias históricas sobre o assassinato de Patrice Lumumba, primeiro-ministro congolês. O torcedor Michel Mboladinga, conhecido como "torcedor-estátua" por homenagear Lumumba durante partidas, tornou-se símbolo da resistência anticolonial. Segundo Lord Lea de Crondall, um ex-político britânico, uma baronesa teria revelado que o serviço secreto do Reino Unido estava por trás da morte de Lumumba em 1961. A participação britânica, no entanto, nunca foi comprovada oficialmente.
Torcedor-estátua e o legado de Lumumba
Michel Mboladinga, de 34 anos, chama atenção nos estádios ao posicionar-se imóvel como uma estátua durante jogos da seleção congolesa. Sua homenagem a Lumumba, executado há 65 anos, ganhou destaque internacional após a classificação da RD Congo para a Copa. Em entrevista, Mboladinga afirmou: "Lumumba é meu herói. Ele lutou pela independência do Congo e contra a exploração estrangeira. Ficar parado como uma estátua é meu jeito de mostrar que sua memória não morre."
Alegações de envolvimento britânico
A declaração de Lord Lea de Crondall, baseada em suposta conversa com uma baronesa não identificada, sugere que o MI6 (serviço de inteligência externo britânico) teria auxiliado no assassinato de Lumumba. As alegações foram feitas durante um debate na Câmara dos Lordes em 2025, mas não apresentaram provas concretas. O governo britânico nega qualquer envolvimento. Lumumba foi morto em janeiro de 1961, poucos meses após a independência do Congo, em meio à Guerra Fria e aos interesses ocidentais na região rica em minerais.
Impacto no jogo e na política externa
A partida entre RD Congo e Inglaterra ocorre no 66º aniversário da independência do país africano, em 30 de junho. Para muitos congoleses, o jogo é uma oportunidade de reafirmar a soberania nacional. Mboladinga, no entanto, enfrenta dificuldades para obter visto para viajar ao Catar, onde a Copa será sediada. "É irônico que o país que supostamente matou meu herói agora me impeça de homenageá-lo", disse o torcedor, referindo-se à recusa do visto americano para eventos anteriores.
Legado colonial e debates atuais
O caso Lumumba continua a ser um ponto sensível nas relações entre África e Europa. A Bélgica, ex-potência colonial, já pediu desculpas formais pelo papel no assassinato, mas o Reino Unido mantém silêncio oficial. Especialistas apontam que a polêmica em torno do jogo reflete tensões não resolvidas do passado colonial. "O futebol é um palco onde essas questões vêm à tona", analisa o historiador congolês Jean-Pierre Kanyama. "Ver um torcedor homenagear Lumumba em um jogo contra a Inglaterra é um ato político poderoso."



