O Irã perdeu a vaga no mata-mata da Copa do Mundo para o Senegal pelo saldo de gols, em uma das eliminações mais cruéis da história do torneio. Invicto na fase de grupos, a equipe dirigida pelo técnico Amir Ghalenoei viu a classificação escapar duas vezes em 24 horas: primeiro com um gol anulado nos acréscimos contra o Egito e depois com um empate nos minutos finais entre Argélia e Áustria.
Gol salvador nos acréscimos é anulado por impedimento milimétrico
Após empates contra Nova Zelândia e Bélgica, o Irã sabia que uma vitória sobre o Egito, em Seattle, garantiria a classificação inédita para o mata-mata. O Irã começou perdendo, mas reagiu bem. O atacante Mehdi Taremi perdeu um pênalti, mas Ramin Rezaeian empatou com um chute preciso, quase sem ângulo. A partida seguiu empatada até os acréscimos do segundo tempo, quando Shoja Khalilzadeh marcou após uma confusão na área. O gol foi muito comemorado — Khalilzadeh tirou a camisa, recebeu cartão amarelo e posou para uma foto com óculos escuros. No entanto, a alegria virou angústia quando o gol foi anulado por impedimento. O impedimento foi no limite: a ponta do pé de Khalilzadeh estava ligeiramente à frente do penúltimo defensor do Egito. A partida terminou 1 a 1, e o Irã teve de esperar pelo desfecho de outros jogos.
Gol aos 51 minutos do 2º tempo elimina o Irã
O Irã dependia do jogo entre Argélia e Áustria. Uma vitória de qualquer equipe favoreceria o Irã. O jogo emocionante parecia destinado a terminar 2 a 2, eliminando o Irã, até que Riyad Mahrez arrancou e colocou a Argélia na frente aos 48 minutos do segundo tempo. Com poucos instantes restantes, o Irã estava novamente muito perto da vaga. Mas, em um último ataque, a Áustria empatou com um cabeceio de Sasa Kalajdzic a poucos segundos do fim. Pela segunda vez em 24 horas, a alegria do Irã foi tirada no último momento. O saldo de gols superior do Senegal garantiu aos africanos a última vaga entre os terceiros colocados. Cabo Verde, também invicto com três empates, avançou em segundo lugar no Grupo H.
Restrições de visto e treino: 'O país anfitrião nos tratou de forma muito injusta'
O Irã disputou a Copa em meio ao conflito com os EUA e Israel. A base de treinamento foi transferida do Arizona para Tijuana, no México, antes do torneio. A equipe enfrentou restrições de viagem: só foi autorizada a entrar nos EUA no dia anterior aos dois primeiros jogos e teve de sair no mesmo dia da partida. Posteriormente, Ghalenoei descreveu sua equipe como a 'mais oprimida' do torneio, dizendo que foram 'privados' de tempo de preparação e tiveram 'menos da metade' da janela de treinos necessária. As restrições foram flexibilizadas para o jogo em Seattle, permitindo que a equipe chegasse dois dias antes, mas teve de retornar a Tijuana após a partida. Após o jogo, Ghalenoei declarou: 'Aos meus jogadores e à equipe, quero dizer que estou orgulhoso deles. O que estes jovens fizeram deveria ser registrado na história, porque o país anfitrião nos tratou de forma muito injusta. Apesar de todos esses problemas, conseguimos ter um bom desempenho e o mundo está orgulhoso dos iranianos e da nossa equipe. Apelo à Fifa: não deixem que anfitriões tratem jogadores e equipes da mesma forma nas próximas Copas do Mundo.'



