A seleção do Irã vai disputar a primeira fase da Copa do Mundo nos Estados Unidos, mas, devido às tensões entre os dois países, está treinando em Tijuana, no México. O isolamento foi a estratégia adotada nos primeiros dias no país. Os registros dos jogadores em campo são limitados às fotos oficiais divulgadas pela delegação, sem contato com a imprensa ou o público.
Esse cenário contrasta com o que a equipe deve encontrar na estreia da competição, em Los Angeles, no dia 15, contra a Nova Zelândia. Mais de 65 mil ingressos já foram vendidos para a partida. A região da Califórnia abriga a maior comunidade de imigrantes e descendentes iranianos fora do Irã, com cerca de 300 mil pessoas, que nutrem sentimentos contraditórios em relação à seleção.
Torcida dividida
O torcedor Saed afirma que, para ele, o time não representa os iranianos, mas sim o governo. “Vou ao estádio, como muitos de nós aqui, representar a força do nosso povo, e não necessariamente a nossa seleção”, declarou. Já Amyr espera que tudo ocorra em paz e que o time jogue um bom futebol.
Esta é apenas a segunda vez na história que a seleção iraniana joga em território americano. A primeira foi no Estádio Rose Bowl, na Califórnia, há 26 anos, em um amistoso com o país-sede, também em um momento de tensão entre as nações. Na ocasião, dirigentes dos dois lados apostaram no esporte como ferramenta diplomática. O jogo terminou empatado em 1 a 1, com mais de 50 mil pessoas nas arquibancadas, sem conflitos, transformando o futebol em uma ponte para o diálogo.



