As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) encerraram a segunda-feira em queda, influenciadas por uma nova pesquisa eleitoral que apontou empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Palácio do Planalto.
Pesquisa eleitoral e impacto nos mercados
No início do dia, a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% de Flávio Bolsonaro. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, os dois candidatos estão em empate técnico. No levantamento anterior, os percentuais eram de 49% e 43%, respectivamente.
Um operador ouvido pela Reuters destacou que a queda de Lula na pesquisa, levando ao empate técnico, foi um fator relevante. No mercado, a derrota de Lula é vista como favorável ao equilíbrio das contas públicas, o que contribuiu para o movimento de baixa nas taxas dos DIs.
Movimento das taxas dos DIs
Após a liquidez despencar durante o jogo entre Brasil e Japão pela Copa do Mundo, no fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,095%, uma baixa de 6 pontos-base ante o ajuste de 14,159% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,27%, queda de 6 pontos-base ante o ajuste de 14,334%.
Cenário fiscal e indicadores econômicos
Mais cedo, o Tesouro informou que o governo central registrou déficit primário de R$ 53,257 bilhões em maio, após rombo de R$ 40,249 bilhões no mesmo mês de 2025. Economistas consultados pela Reuters esperavam um déficit de R$ 53 bilhões no mês passado.
A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou que o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) passou a cair 0,50% no Brasil em junho, depois de ter registrado alta de 0,84% no mês anterior. A expectativa em pesquisa da Reuters era de recuo de 0,45%. Em 12 meses até junho, o IGP-M acumulou alta de 3,16%.
Boletim Focus e expectativas de juros
O boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções do mercado para a inflação em 2026 seguiu em 5,33% e em 2027 foi de 4,15% para 4,17%. A Selic esperada para o fim deste ano permaneceu em 14,00%, o que pressupõe mais um corte de 25 pontos-base na taxa até o fim do ano.
Cenário externo
No exterior, após um projétil iraniano atingir um navio de carga no Estreito de Ormuz na quinta-feira, EUA e Irã trocaram ataques e acusações de violação do cessar-fogo provisório nos dias seguintes. No domingo, uma autoridade norte-americana afirmou que os dois países concordaram em suspender as hostilidades e retomar as negociações.
Às 16h34, o rendimento do Treasury de dois anos — que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo — tinha alta de 1 ponto-base, a 4,102%. Já o retorno do título de dez anos — referência global para decisões de investimento — mostrava estabilidade, a 4,373%.



