Derrota do Brasil para Noruega expõe limites do projeto Ancelotti
Derrota do Brasil expõe limites do projeto Ancelotti

A eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026, com uma derrota por 2 a 1 para a Noruega, expôs de forma contundente os limites de um projeto construído às pressas sob o comando de Carlo Ancelotti. O técnico italiano, última aposta da CBF para evitar um fiasco, viu seu castelo de areia ser demolido pelo cometa Erling Haaland, autor dos dois gols noruegueses.

Gols de Haaland evidenciam falhas na preparação

Haaland marcou aos 15 e 38 minutos do primeiro tempo, aproveitando-se de uma defesa brasileira desorganizada e de falhas nas laterais. O Brasil ainda descontou com Endrick no segundo tempo, mas não conseguiu evitar a eliminação precoce nas oitavas de final. Segundo analistas esportivos, a partida deixou claro que a preparação da seleção foi insuficiente, com apenas 12 jogos sob o comando de Ancelotti antes do Mundial.

“A falta de entrosamento e a ausência de um sistema defensivo sólido foram determinantes”, afirmou o comentarista esportivo João Carlos, em entrevista à ESPN. “O time nunca teve uma identidade tática clara, e isso cobrou seu preço contra um adversário bem organizado.”

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Lesões e falta de lideranças agravam crise

Além dos problemas estruturais, a seleção brasileira sofreu com lesões de jogadores-chave. Wesley e Lucas Paquetá desfalcaram a equipe nos momentos decisivos, comprometendo o meio-campo e a criação de jogadas. Neymar, que perdeu a liderança do grupo após atritos com a comissão técnica, não conseguiu inspirar os companheiros em campo.

Jovens promessas como Endrick e Rayan, embora tenham mostrado lampejos de talento, não tiveram suporte suficiente para evitar a eliminação. Endrick, de apenas 20 anos, foi o autor do gol de honra, mas admitiu após o jogo: “Precisamos de mais tempo de trabalho e de jogos para nos acertarmos. É frustrante sair assim.”

Projeto Ancelotti: uma aposta de risco

A contratação de Carlo Ancelotti em janeiro de 2025 foi vista como uma tentativa desesperada da CBF de dar um choque de qualidade à seleção. O técnico multicampeão europeu, porém, teve pouco tempo para implementar suas ideias e enfrentou dificuldades para conciliar as convocações com o calendário apertado dos clubes. Em 12 partidas, o Brasil venceu 7, empatou 3 e perdeu 2, com atuações irregulares.

“Ancelotti é um grande treinador, mas nem ele poderia fazer milagres em tão pouco tempo”, avaliou o jornalista esportivo Paulo Vinícius Coelho, em sua coluna no UOL. “A CBF errou ao não planejar uma transição mais longa após a saída de Tite. O resultado é o que vimos.”

O futuro da seleção brasileira

Com a eliminação precoce, a CBF enfrenta agora o desafio de reconstruir a seleção para o próximo ciclo. A permanência de Ancelotti é incerta, e os dirigentes já cogitam nomes como Fernando Diniz e Jorge Jesus para assumir o comando. Além disso, será necessário renovar o elenco, com a saída de veteranos como Neymar e a aposta em jovens talentos.

O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, declarou em coletiva: “Vamos fazer uma análise profunda do que deu errado e trabalhar para que o Brasil volte a ser protagonista. A torcida merece mais.” A derrota para a Noruega, no entanto, já é considerada um dos maiores fiascos da história da seleção, comparável à eliminação para a Alemanha em 2014 e para a Bélgica em 2018.

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