A Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, Canadá e México, tem surpreendido ao registrar estádios cheios em dois a cada três jogos, desafiando as expectativas de que os altos preços dos ingressos afastariam o público. Até o momento, mais de 6,2 milhões de espectadores já compareceram às partidas, número que supera o total de público da edição de 2022 no Catar.
Preços dinâmicos e revenda elevam valores
O sistema de precificação adotado pela Fifa, que inclui preços dinâmicos e uma plataforma oficial de revenda, fez com que os valores dos ingressos disparassem. Em jogos de alta demanda, como as oitavas de final entre Argentina e Egito, em Atlanta, os preços chegaram a triplicar em relação ao valor original. A estratégia visa maximizar a receita, já que a entidade espera arrecadar mais de US$ 3 bilhões apenas com a venda de ingressos, o triplo do registrado no Catar.
Especialistas alertam para exclusão
Para o economista esportivo Andrew Zimbalist, da Smith College, a tendência de preços flutuantes é 'incontornável' no esporte moderno, mas ele faz um alerta à Fifa: 'O risco é excluir o torcedor tradicional, aquele que viaja, canta e cria a atmosfera única dos estádios. Se o preço for proibitivo para eles, a experiência do jogo pode perder sua essência.'
Ocupação máxima desafia críticas
Apesar das críticas, os números mostram que a demanda continua forte. Dos 64 jogos previstos, 42 já tiveram ocupação de 100% da capacidade, segundo dados oficiais da Fifa. Apenas partidas em estádios menores ou com times de menor apelo popular registraram ocupação abaixo de 80%. 'O futebol é uma paixão que supera barreiras econômicas', afirma o presidente da Fifa, Gianni Infantino, em comunicado recente.
Impacto para torcedores brasileiros
Para os brasileiros, que tradicionalmente viajam em grande número para Copas, a situação é desafiadora. O ingresso mais barato para a fase de grupos custou US$ 150 (cerca de R$ 800), mas na revenda chegou a US$ 400. 'Tive que pagar quase o dobro do que planejei para ver o Brasil contra a Coreia do Sul', relata o torcedor paulista Lucas Mendes, que está em Los Angeles. 'Valeu a pena, mas não sei se faria de novo.'
Tendência deve se expandir
Especialistas preveem que o modelo de preços dinâmicos será adotado em outros grandes eventos esportivos, como as Olimpíadas e a Eurocopa. 'É uma ferramenta poderosa para maximizar receitas, mas precisa ser usada com cuidado para não afastar o público que dá vida ao esporte', conclui Zimbalist.



