Colômbia e República Democrática do Congo se enfrentam nesta terça-feira, 23 de junho de 2026, no Grupo K da Copa do Mundo, em partida realizada no México. Além da disputa por vaga na segunda fase, as duas seleções compartilham um vínculo cultural profundo: a música. A champeta colombiana e o soukous congolês, gêneros vibrantes e dançantes, têm raízes entrelaçadas desde os anos 1960, quando discos de soukous chegaram à Colômbia e influenciaram a criação da champeta.
Origens da conexão musical
O soukous, ritmo originário da República Democrática do Congo e da República do Congo, ganhou popularidade na África nas décadas de 1950 e 1960. Na Colômbia, especialmente na região caribenha, esse som encontrou eco nas comunidades afro-colombianas. Discos de vinil trazidos por marinheiros e imigrantes africanos começaram a tocar em festas populares, e os artistas locais incorporaram as batidas e melodias do soukous ao que viria a ser a champeta.
A champeta, por sua vez, é um gênero musical e dançante que surgiu nos bairros populares de Cartagena e Barranquilla, combinando influências africanas, caribenhas e latinas. O nome "champeta" vem de uma faca usada nas comunidades, mas também remete à energia e à resistência cultural. A cantora colombiana Shakira ajudou a levar a champeta ao conhecimento global ao apresentar uma performance do gênero no Super Bowl de 2020.
Cenário da partida
No Grupo K, a Colômbia busca avançar após uma vitória na estreia, enquanto a RD Congo vem de um empate histórico contra a Seleção Brasileira. O jogo é crucial para ambas as equipes: a Colômbia pode garantir a classificação com uma vitória, enquanto o Congo precisa somar pontos para manter vivas as chances de avançar. A partida ocorre no Estádio BBVA, em Monterrey, México, com capacidade para mais de 50 mil torcedores.
Torcedores congoleses presentes no estádio relataram a sensação de estarem "ilhados" em meio à torcida portuguesa, já que muitos imigrantes congoleses vivem em Portugal e torcem pela seleção lusitana. Apesar disso, o ritmo do soukous ecoa nas arquibancadas, lembrando a todos a herança musical compartilhada.
Impacto cultural e reconhecimento
A conexão entre champeta e soukous é um exemplo de como a música pode unir povos separados por um oceano. Segundo o musicólogo colombiano Juan Sebastián Ochoa, "a champeta é uma prova viva da diáspora africana nas Américas. O soukous chegou à Colômbia e se fundiu com ritmos locais, criando algo único". A influência é tão marcante que, em 2020, o governo colombiano reconheceu a champeta como patrimônio cultural imaterial do país.
Na RD Congo, o soukous é considerado um dos principais símbolos da identidade nacional. Artistas como Franco Luambo e Papa Wemba popularizaram o gênero internacionalmente. A troca cultural entre os dois países, embora pouco conhecida, continua viva através de festivais e colaborações musicais.
Perspectivas para o jogo
Além da música, o futebol é o grande protagonista. A Colômbia, com jogadores como Luis Díaz e James Rodríguez, aposta na velocidade e no talento individual. A RD Congo, por sua vez, conta com a força física e a disciplina tática. O técnico congolês, Sébastien Desabre, afirmou em entrevista coletiva: "Sabemos da qualidade da Colômbia, mas temos nossas armas. Vamos lutar por cada bola".
A partida promete emoção tanto dentro quanto fora de campo, com torcedores de ambos os lados celebrando a diversidade cultural. O resultado pode definir o futuro das duas seleções no torneio, mas a música já garantiu que essa rivalidade seja marcada pelo respeito e pela admiração mútua.



