A trilha sonora dos estádios da Copa do Mundo não é aleatória. A Fifa revelou que mais de 750 músicas são pré-selecionadas pela “Equipe de Entretenimento nos Estádios”, em parceria com as federações nacionais, criando playlists que mesclam clássicos esportivos com hits locais.
Cada seleção tem suas músicas-símbolo
Para cada equipe, são definidas três faixas específicas: uma tocada quando a escalação é anunciada, outra para o aquecimento e uma para comemoração de gols. Após cada partida, torcedores podem cantar junto com a música da equipe vencedora. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) produziu uma trilha sonora especial para a Copa, liderada por Papatinho, com a faixa "Bate no Peito", que reúne Ludmilla, João Gomes, Zeca Pagodinho, Samuel Rosa e Veigh. Na vitória sobre a Escócia, a música tocada foi "Festa", de Ivete Sangalo.
Retrato cultural e globalização musical
As playlists refletem a diversidade cultural do torneio, que em 2026 contou com 48 seleções pela primeira vez. Faixas globais como “Seven Nation Army” (The White Stripes), “Thunderstruck” (AC/DC) e “Freed from Desire” (Gala) aparecem em múltiplas listas. Andrew Lawn, autor de “We Lose Every Week: The History of Football Chanting”, explica: “Elas precisam ser cativantes, divertidas e reconhecíveis. Ficam associadas a momentos bem-sucedidos, permanecendo na memória porque a emoção se liga à música.”
Exemplos de escolhas nacionais
A Argentina usa “El Matador”, dos Los Fabulosos Cadillacs, como música de aquecimento e gol – embora a letra, com influências do reggae, trate das ditaduras latino-americanas. Gana escolheu “Kakalika”, do DopeNation (2025), que mistura estilos e idiomas para celebrar a diversidade. O México optou por três faixas do Mariachi Vargas, banda fundada em 1897. A Coreia do Sul selecionou K-Pop de Blackpink e BTS. A França toca “One More Time”, do Daft Punk, quando Mbappé marca. A Austrália tem “Down Under” (Men At Work) e a Bélgica, “Pump Up the Jam” (Technotronic).
Adaptação durante o torneio
Às vezes, as músicas evoluem com a reação dos torcedores. “Wonderwall”, do Oasis, tornou-se constante na Inglaterra após a vitória por 4 a 2 sobre a Croácia, quando os fãs cantaram junto. O capitão Harry Kane, no “Lions’ Den”, disse que foi um dos seus momentos favoritos com a camisa inglesa, conectando equipe e torcida. Nos Estados Unidos, “Take Me Home, Country Roads”, de John Denver, rapidamente substituiu o canto “USA! USA!”, que vinha sendo criticado na internet por falta de criatividade.



