Uma pesquisa realizada pela Dove em parceria com a Nike revelou que 45% das meninas brasileiras entre 11 e 17 anos abandonam a prática esportiva durante a adolescência. Os principais motivos apontados incluem mudanças corporais, a primeira menstruação, baixa confiança e preconceito de gênero.
Fatores que afastam as meninas do esporte
Segundo o levantamento, as transformações físicas típicas da puberdade geram desconforto e vergonha, levando muitas jovens a se afastarem das atividades físicas. A menstruação, em especial, é citada como um obstáculo significativo, seja pela falta de infraestrutura adequada nas escolas e clubes, seja pelo medo de vazamentos ou dores.
Além disso, a baixa autoestima e a pressão estética contribuem para o abandono. Muitas meninas se sentem inseguras em relação ao próprio corpo e temem ser julgadas por colegas ou treinadores.
Preconceito de gênero ainda presente
O preconceito de gênero também aparece como um fator relevante. Comentários machistas, a desvalorização do esporte feminino e a falta de incentivo específico para meninas são apontados como barreiras. "Muitas vezes, as meninas ouvem que esporte é coisa de menino ou que não são boas o suficiente", afirma a psicóloga esportiva Ana Beatriz Silva, consultora da pesquisa.
Maria Eduarda Coltro, de 14 anos, que já praticou polo, natação e agora faz tênis e vôlei, é uma exceção. Ela conta que o apoio da família foi fundamental para continuar: "Meus pais sempre me incentivaram e nunca fizeram diferença entre esporte de menino ou menina".
Impactos do abandono esportivo
A desistência precoce do esporte tem consequências para a saúde física e mental das adolescentes. A prática regular de atividades físicas está associada a menor risco de obesidade, melhor saúde cardiovascular e redução de sintomas de ansiedade e depressão. Especialistas alertam que o abandono pode perpetuar um ciclo de sedentarismo na vida adulta.
"O esporte é uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento da autoconfiança e do trabalho em equipe. Quando as meninas desistem, perdem não apenas benefícios físicos, mas também oportunidades de crescimento pessoal", destaca a educadora física Carla Mendes.
Como reverter o cenário
Para combater esse problema, a pesquisa sugere que pais, escolas e treinadores adotem uma abordagem mais inclusiva e acolhedora. Diálogo aberto sobre as mudanças do corpo, oferta de uniformes confortáveis e criação de espaços seguros para a prática esportiva são medidas recomendadas.
A campanha Dove e Nike, intitulada "Corpo Livre", busca incentivar as meninas a se manterem ativas, promovendo a aceitação corporal e o fim dos estereótipos de gênero no esporte. "Queremos que cada menina se sinta bem e confiante para praticar esporte, independentemente de seu corpo ou fase da vida", afirma a diretora de marketing da Dove no Brasil, Juliana Costa.



