Erwin Theodor Rosenthal: centenário do germanista que marcou a USP e a APL
Erwin Theodor Rosenthal: centenário do germanista que marcou a USP

Há exatamente um século, em 30 de junho de 1926, nascia em Frankfurt am Main, terra de Goethe, Erwin Theodor Rosenthal, figura de elevada estatura na docência universitária, na literatura e na vida acadêmica brasileira. Chegou ao Brasil ainda criança e aqui realizou todos os seus estudos, obtendo o Doutorado em Letras em 1953 e a Livre Docência sete anos depois.

Carreira na USP e contribuições acadêmicas

Respeitado germanista, ensinou o idioma e a literatura alemã na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Tornou-se titular da Cátedra de Alemão e Literatura Alemã em 1964 e foi diretor da unidade, onde conquistou admiração e amizades. Foi o criador do Curso de Pós-Graduação em Língua e Literatura Alemã da USP.

Erwin Theodor Rosenthal traduziu obras de Martius, Lessing, Benjamin e Nietzsche. Entre suas obras publicadas estão A Língua Alemã – Desenvolvimento histórico e situação atual, O Universo Fragmentário (escrito em alemão), Recursos Expressivos na Obra Dramática de Gerhard Hauptmann, Introdução à Literatura Alemã, A Literatura Alemã, Estudos de Sintaxe Inglesa, Viagem pela América do Norte, Temas Alemães e Perfis e Sombras – estudos de Literatura Alemã. Também traduziu para o português Frey Apollonio: um romance do Brasil, de Carl Friedrich Philipp von Martius, originalmente transposto para o alemão moderno por ele mesmo em 1992.

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Atuação internacional e reconhecimentos

Nunca perdeu o contato com sua terra natal. Foi professor visitante da Universidade de Berlim e lecionou cursos de extensão nas Universidades de Lisboa, Colônia e Witwatersrand, em Johannesburg. Obteve bolsa da Fundação Alexander von Humboldt e ensinou na Universidade de Tübingen.

Por seus méritos, recebeu condecorações na França (Oficial das Palmas Acadêmicas), na Áustria (Grande Ordem do Mérito) e na Alemanha (Cruz de Mérito – Primeira Classe e Medalha Goethe, categoria Ouro).

Presidência da Academia Paulista de Letras

Ingressou na Academia Paulista de Letras (APL) em 1986 e tornou-se seu 15º presidente. Foi ele quem presidia a APL quando o autor deste texto foi eleito em 2003. Integrou ainda a Academia Paulista de História e a Academia Paulista de Jornalismo. Fez parte do Conselho Diretivo da Associação Internacional de Germanística e foi coeditor do Anuário Internacional de Germanística, além de membro-correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.

Erwin Rosenthal era descrito como um homem rígido e sistemático, fiel cumpridor de seus deveres no magistério e na tradução, atento ao ritualismo acadêmico. Seus alunos recordam sua austeridade em sala de aula, mas também sua bonomia e discreto humor no convívio nos corredores.

Legado e acervo da APL

Quando a APL completou 90 anos, em 1999, uma publicação especial trouxe um ensaio de Erwin intitulado “Os tesouros do arquivo – Acervo de mais de 900 peças”. Nele, após consistente histórico etimológico de “arquivo”, menciona a documentação analisada por Leonardo Arroyo e Lycurgo de Castro Santos Filho. São peças originais, livros em prosa, peças dramáticas, poemas, cartas e bilhetes avulsos, em sua maior parte manuscritos inéditos, além de mais de duzentos textos raros. Erwin dividiu o material em três períodos históricos: até fins do século XIX; no século XX até 1945; e daí por diante. A APL dispõe, por exemplo, de uma carta escrita por Maria Doroteia Joaquina de Seixas, inspiradora de “Marília de Dirceu”, de Tomaz Antonio Gonzaga, e carta inédita de Dom Pedro I à Marquesa de Santos.

Erwin Theodor Rosenthal faleceu, mas seu legado como um acadêmico às antigas permanece. Saudades de Erwin Theodor Rosenthal.

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