O documentário 'Canecão – Tantas emoções', dirigido e roteirizado por Bruno Levinson, resgata a história de uma das casas de show mais emblemáticas do Brasil. O filme integra a Mostra Brasil da 18ª edição do In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical, que ocorre em São Paulo de 17 a 28 de junho.
Do surgimento ao fechamento
O Canecão abriu as portas em 1967 como cervejaria e se tornou casa de shows em 9 de maio de 1969, com a apresentação de Maysa. O último espetáculo aconteceu em 17 de outubro de 2010, com Bibi Ferreira. O local está previsto para ser reaberto em 2027 como espaço cultural.
Foco na geração pop dos anos 1980
O diretor Bruno Levinson optou por dar destaque à tomada do Canecão pela geração pop dos anos 1980, a partir do show 'Radioatividade' do Blitz, em 1981. Entre os entrevistados estão Bruno Gouveia, Evandro Mesquita, Fernanda Abreu, Leo Jaime, Lobão, Paulo Ricardo, Ritchie e Roberto Frejat. Apesar do recorte, o filme reconhece que o Canecão foi, nos anos 1970, 'o templo sagrado da MPB', como define Lobão.
Depoimentos emocionantes
Roberto Carlos, que estreou na casa em 1970 com o show 'Roberto Carlos a 200 km por hora!', dá um depoimento emocionado sobre a importância do Canecão em sua carreira. 'O Canecão foi um marco importantíssimo na minha vida porque mostrou para o público e para a crítica que eu sabia fazer mais do que fazia na Jovem Guarda', afirma o cantor.
Zélia Duncan relembra o ritual dos artistas debutantes: ao ser avisada pela empresária Beth Araújo de que o letreiro com seu nome estava pronto, foi para a porta do Canecão tirar foto. 'O Canecão não era só uma casa de shows. Era o lugar onde todo mundo queria estar', sentencia a empresária Marilena Gondim, que também destaca os desafios de trabalhar no local.
Histórias e bastidores
O documentário traz depoimentos de funcionários, como garçonetes, o assessor de imprensa Luiz Menna Barreto e o produtor artístico Jerson Alvim, que mediou conflitos entre artistas e a casa. Um dos causos mais interessantes é o breve impasse entre Chico Buarque e Tom Jobim sobre datas de shows.
O reencontro de Elymar Santos com a jornalista Léa Penteado, que o ajudou a realizar o sonho de se apresentar no Canecão, é um dos momentos mais emocionantes. Elymar conta como empenhou apartamento e carro para alugar a casa por uma noite, em 12 de novembro de 1985, o que lhe rendeu convites para outros shows.
Outros momentos marcantes
O filme também lembra os bailes da pesada dos anos 1970, que impulsionaram o movimento Black Rio, e o show da banda britânica Echo & The Bunnymen em 1987. No entanto, omite a chegada do sertanejo em 1991 com Chitãozinho & Xororó e ignora shows emblemáticos de Gal Costa e Maria Bethânia, embora haja menções aos espetáculos 'Brasileiro, profissão: esperança' (1974) e 'Chico Buarque & Maria Bethânia' (1975).
Em 87 minutos, 'Canecão – Tantas emoções' cumpre a função de ressaltar a magia de uma casa que, como disse Ronaldo Bôscoli, escreveu parte da história da música brasileira.



