100 melhores filmes brasileiros: drama, comédia, faroeste e musical
100 melhores filmes brasileiros: drama, comédia, faroestes e musicais

A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) divulgou uma lista com os 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, quebrando a percepção de que o cinema nacional se limita a temas como favela e ditadura. A seleção abrange uma ampla gama de gêneros, incluindo dramas, comédias, faroestes, musicais, terror e ficção científica, demonstrando a riqueza e a pluralidade da produção cinematográfica do país.

Diversidade de gêneros e épocas

A lista, que foi compilada a partir da votação de 100 críticos associados à Abraccine, inclui filmes desde a era do cinema mudo até produções contemporâneas. Entre os destaques estão clássicos como 'O Cangaceiro' (1953), de Lima Barreto, um faroeste nordestino que ganhou o prêmio de melhor filme de aventura no Festival de Cannes, e 'Macunaíma' (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, uma comédia surrealista baseada na obra de Mário de Andrade.

'Terra em Transe' (1967), de Glauber Rocha, figura entre os mais votados, assim como 'Central do Brasil' (1998), de Walter Salles, que conquistou o Urso de Ouro em Berlim e indicou Fernanda Montenegro ao Oscar. A presença de filmes recentes, como 'Bacurau' (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, vencedor do Prêmio do Júri em Cannes, mostra a vitalidade do cinema brasileiro contemporâneo.

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Críticos destacam representatividade

Para o crítico e presidente da Abraccine, Luiz Carlos Merten, a lista reflete a maturidade da crítica brasileira. 'Há muito tempo o cinema brasileiro não se resume a estereótipos. Temos uma produção vasta e diversa, que merece ser celebrada', afirmou Merten em entrevista ao GLOBO. Ele destacou que a seleção inclui obras de diferentes regiões do país, com diretores de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais, entre outros.

A lista também chama atenção pela inclusão de filmes de gêneros muitas vezes marginalizados, como o terror ('A Marca do Terrir', 1974, de Ivan Cardoso) e a ficção científica ('O Homem do Futuro', 2011, de Cláudio Torres). 'Isso mostra que a crítica está aberta a novas linguagens e narrativas, sem preconceitos', completou Merten.

Top 10 da lista

O top 10 é liderado por 'Limite' (1931), de Mário Peixoto, um dos filmes mais influentes do cinema mudo brasileiro. Em seguida, aparecem 'Deus e o Diabo na Terra do Sol' (1964), de Glauber Rocha; 'Vidas Secas' (1963), de Nelson Pereira dos Santos; 'O Bandido da Luz Vermelha' (1968), de Rogério Sganzerla; e 'Cidade de Deus' (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund. Completam a lista 'São Paulo, Sociedade Anônima' (1965), de Luis Sérgio Person; 'O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro' (1969), de Glauber Rocha; 'A Hora da Estrela' (1985), de Suzana Amaral; 'O Que É Isso, Companheiro?' (1997), de Bruno Barreto; e 'Bacurau' (2019).

Impacto na indústria e no turismo

A divulgação da lista já gera expectativa no setor audiovisual. Produtores e distribuidores acreditam que a iniciativa pode impulsionar a exibição de filmes clássicos em salas de cinema e plataformas de streaming. 'Ver obras como 'O Cangaceiro' e 'Macunaíma' sendo lembradas incentiva a preservação e a difusão do nosso patrimônio cinematográfico', disse a produtora cultural Maria do Rosário, do Cineclube do Rio.

Além disso, a lista pode fomentar o turismo cultural em locações icônicas, como as paisagens do sertão pernambucano, cenário de 'Vidas Secas' e 'O Cangaceiro', e as ruas do Rio de Janeiro, retratadas em 'Cidade de Deus'. A Abraccine planeja lançar um livro e uma exposição itinerante com detalhes sobre os 100 filmes selecionados.

Críticas e controvérsias

Apesar do reconhecimento, a lista não está imune a críticas. Alguns setores apontam a ausência de filmes populares, como 'Dona Flor e Seus Dois Maridos' (1976), de Bruno Barreto, e 'A Grande Arte' (1991), de Walter Salles. 'Toda lista é passível de questionamento, mas o importante é que ela abre um debate sobre o que é o cinema brasileiro e sua evolução', ponderou Merten.

A Abraccine espera que a lista seja atualizada periodicamente, incorporando novos filmes e refletindo as mudanças no panorama cinematográfico nacional. 'O cinema brasileiro é dinâmico e está sempre se reinventando. Esta lista é um retrato do momento, não uma verdade absoluta', concluiu o presidente da associação.

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