O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) gerou debate ao comparar o sistema de pagamentos instantâneos Zelle, dos Estados Unidos, com o brasileiro Pix. Apesar de ambos permitirem transferências rápidas, há diferenças estruturais e operacionais significativas entre os dois.
O que é o Zelle?
O Zelle é uma rede de pagamentos digitais dos Estados Unidos, operada por um consórcio privado de grandes bancos americanos, como JPMorgan Chase, Bank of America e Wells Fargo. Ele permite que usuários enviem e recebam dinheiro diretamente entre contas bancárias, geralmente em minutos, utilizando apenas um endereço de e-mail ou número de telefone. No entanto, sua adesão é restrita a instituições financeiras participantes, o que limita sua abrangência.
Principais diferenças para o Pix
O Pix, por outro lado, é um sistema de pagamentos instantâneos criado e gerido pelo Banco Central do Brasil. Ele é obrigatoriamente oferecido por todas as instituições financeiras do país, incluindo bancos públicos e privados, fintechs e cooperativas de crédito. Isso garante uma cobertura universal e integração com praticamente qualquer conta bancária ou de pagamento.
Enquanto o Zelle é voltado principalmente para transações entre pessoas físicas e pequenas empresas, o Pix é utilizado também para pagamentos a grandes empresas, órgãos públicos (como impostos e tributos) e até mesmo em compras no exterior, por meio de parcerias com outros sistemas de pagamento.
Mecanismos de segurança
O Pix conta com mecanismos de devolução de valores em caso de fraudes ou erros, como o Mecanismo Especial de Devolução (MED). Já o Zelle não possui um sistema similar, sendo mais difícil reverter transações após a confirmação. Além disso, o Pix permite agendamento de pagamentos e cobranças, funcionalidades ausentes no Zelle.
Taxas e limites
O Pix é gratuito para pessoas físicas em transferências entre contas, com limites diários ajustáveis. O Zelle, embora não cobre taxas para a maioria dos usuários, pode ter limites mais baixos impostos pelos bancos participantes, e algumas instituições podem tarifar transações comerciais.
Impacto da comparação
A declaração de Eduardo Bolsonaro reacendeu o debate sobre a eficiência dos sistemas de pagamento brasileiro e americano. Especialistas apontam que, embora o Zelle seja eficiente para transações rápidas nos EUA, sua estrutura privada e menos regulada não oferece a mesma segurança e abrangência do Pix, que se tornou referência mundial em pagamentos instantâneos.



