As taxas dos títulos do Tesouro Direto voltaram a subir fortemente nesta quinta-feira (18), refletindo o cenário macroeconômico adverso no Brasil e no exterior. Às 15h26, o Tesouro IPCA+ 2032 oferecia um ganho real de 8,39%, após atingir 8,51% mais cedo, o maior patamar histórico para esse vencimento.
Negociações interrompidas
Por volta do meio-dia, o Tesouro Nacional chegou a suspender as negociações dos títulos devido à alta volatilidade. Nesse período, apenas o Tesouro Selic e o Tesouro Reserva podiam ser comprados. Com a reabertura à tarde, o Tesouro IPCA+ 2040 passou a pagar 7,51% e o Tesouro IPCA+ 2050, 7,16%. Entre os prefixados, o título com vencimento em 2029 oferecia retorno de 14,8%, e o Prefixado 2032, 14,79%.
Decisões de juros nos EUA e no Brasil
O movimento ocorre após as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom). Nos Estados Unidos, o Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, em um comunicado mais enxuto que eliminou referências a possíveis ajustes futuros. Esta foi a primeira reunião presidida por Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump.
O gráfico de pontos (dot plot) do Fed mostrou maior concentração de dirigentes projetando alta dos juros em 2026. Nove dirigentes estimam elevação neste ano: cinco preveem taxa entre 4% e 4,25%, três entre 3,75% e 4%, e um entre 4,25% e 4,5%. Por outro lado, oito dirigentes veem manutenção na faixa atual, e um acredita em redução para 3,25%-3,5%.
Copom corta Selic, mas cenário preocupa
No Brasil, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. O comitê também elevou a projeção de inflação para o quarto trimestre de 2027, horizonte relevante, de 3,5% para 3,7%. As projeções indicam pouco espaço para novos cortes, mas o Copom argumentou que, mantendo postura restritiva, a inflação ficaria abaixo da meta no primeiro trimestre de 2028. Ao estender o horizonte em um trimestre, justificou o corte adicional.
O mercado considerou o comunicado "confuso" e aguarda a ata da reunião, prevista para terça-feira (23), para esclarecer os planos do Banco Central. Segundo Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, "conciliar essa leitura mais severa com uma redução de juros e rolamento do horizonte é um exercício complexo que tem potencial para gerar ruído e traz riscos de questionamento da função de reação da autoridade monetária".
O Copom também incorporou novos riscos de alta para a inflação, como os impactos do El Niño e estímulos à demanda, em um diagnóstico mais preocupado.



