As bolsas mundiais operam em forte queda nesta terça-feira (23), com destaque para o tombo das ações de tecnologia. A Bolsa da Coreia do Sul desabou 10% e acionou o circuit breaker, interrompendo as negociações temporariamente. O movimento é global: nos Estados Unidos, os índices futuros apontam para uma abertura negativa, enquanto na Europa as perdas também são expressivas.
Por que as ações de tecnologia estão despencando?
O setor de tecnologia sofre com a combinação de juros elevados, preocupações com regulação e realização de lucros após forte alta nos últimos meses. Empresas como Apple, Microsoft e Alphabet registram quedas expressivas no pré-mercado. No Brasil, o Ibovespa futuro acompanha o movimento externo, com investidores cautelosos antes da ata do Copom e dos PMIs.
Coreia do Sul: circuit breaker acionado
A Bolsa de Valores da Coreia do Sul (KOSPI) caiu 10% nesta terça, levando ao acionamento do circuit breaker pela primeira vez em meses. O índice é fortemente influenciado por gigantes de tecnologia como Samsung e SK Hynix, que despencam com o pessimismo global. O mercado sul-coreano também sofre com a desvalorização do won e a fuga de capital estrangeiro.
Brasil: Ibovespa, dólar e juros sob pressão
No Brasil, o Ibovespa futuro opera em baixa, com investidores monitorando o cenário externo e a agenda doméstica. O dólar comercial sobe ante o real, refletindo a aversão ao risco global. As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) também sobem, com o mercado ajustando as expectativas para a Selic. O Copom divulgou que vê custo elevado para levar a inflação à meta já em 2027, o que reforça a cautela.
Impacto nas empresas brasileiras
Entre as ações brasileiras mais afetadas estão as do setor de tecnologia, como Magazine Luiza e Lojas Americanas, além de empresas ligadas a commodities, que caem com o temor de desaceleração global. A Raízen, Yduqs, Axia, MRV e Cogna estão entre as ações para acompanhar hoje, segundo analistas. A MRV anunciou a venda dos empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch, nos EUA, por US$ 139 milhões, mas o anúncio não foi suficiente para conter as perdas.
China sanciona empresas dos EUA em retaliação
Em meio ao clima negativo, a China anunciou sanções a 10 empresas dos EUA em retaliação a medidas americanas. A medida eleva as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo, aumentando a incerteza para os mercados globais. A China também é um dos principais fornecedores de tecnologia para a fabricação de robôs, e qualquer restrição pode impactar ainda mais o setor.
Perspectivas para os próximos dias
Os investidores aguardam a ata do Copom, que será divulgada na quinta-feira, e os PMIs industriais, que darão pistas sobre a atividade econômica global. Enquanto isso, a volatilidade deve continuar, com o mercado buscando suportes técnicos. Na Coreia do Sul, o circuit breaker foi acionado, mas as negociações já foram retomadas, com o índice operando ainda em forte queda.



