A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) gerou forte reação negativa no mercado financeiro. Economistas avaliam que a explicação do Banco Central para adiar o controle da inflação convenceu pouco, sendo classificada como “confusa” e “justificando o injustificável”.
Tesouro IPCA+ ultrapassa 8,5% ao ano
Com a percepção de maior risco fiscal e monetário, o Tesouro IPCA+ voltou a ultrapassar a barreira dos 8,5% ao ano. A alta reflete a aversão dos investidores diante da sinalização do BC de que não há pressa para conter a inflação, mesmo com as expectativas desancoradas.
Segundo analistas do BBA, a Bolsa brasileira está barata, mas o investidor estrangeiro não vê urgência para retornar ao país enquanto o cenário doméstico não oferecer clareza. “A ata não ajudou a reduzir a incerteza”, afirmou um estrategista de um grande banco.
Mercado critica comunicação do BC
A avaliação geral é de que o comunicado foi contraditório. Ao mesmo tempo em que o Copom manteve a Selic em 14,25% ao ano, o texto sugeriu que o ciclo de aperto pode ter chegado ao fim, sem compromisso com a meta de inflação no horizonte relevante. Para o mercado, isso soa como “justificando o injustificável”, termo usado por um gestor de renda fixa ouvido pela reportagem.
A confusão aumentou a procura por títulos atrelados à inflação, elevando os prêmios. O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045, por exemplo, passou a render 8,52% ao ano, maior nível desde o início do ano.
Impacto nos mercados e nas expectativas
A deterioração das expectativas de inflação e a falta de um compromisso claro do BC com a meta levaram a um movimento de aversão ao risco. O Ibovespa caiu 0,8% no dia seguinte à divulgação da ata, enquanto o dólar subiu 0,5%, cotado a R$ 5,85.
Para o economista-chefe de uma consultoria independente, “a ata do Copom foi um tiro no pé. Em vez de acalmar o mercado, aumentou a desconfiança sobre a condução da política monetária”. Ele destaca que a comunicação do BC deveria ser mais clara para ancorar as expectativas, mas acabou gerando mais volatilidade.
Perspectivas para os próximos meses
Com a inflação corrente ainda pressionada e a atividade econômica mostrando resiliência, o mercado espera que o Copom mantenha a Selic elevada por mais tempo. No entanto, a ata sugere que o comitê pode não agir com a firmeza necessária para trazer a inflação de volta à meta no prazo estipulado.
O Banco Central, em nota, afirmou que “a comunicação do Copom é transparente e baseada em dados técnicos”. Mas, para os agentes financeiros, a justificativa foi insuficiente para conter a alta dos juros futuros e a desvalorização dos ativos brasileiros.



