Mercado busca estabilização: Ibovespa, dólar, Nasdaq e Bitcoin em análise
O mercado começa a dar sinais de estabilização após semanas de forte pressão vendedora, mas a dúvida central ainda é se a reação recente marca a formação de um fundo ou apenas um repique técnico. No Brasil, o Ibovespa interrompeu a sequência histórica de oito semanas consecutivas de queda e voltou a fechar no positivo, embora ainda permaneça em uma estrutura corretiva no curto prazo.
Enquanto isso, o dólar futuro perdeu força após duas semanas de recuperação e volta a testar regiões próximas das médias móveis. No exterior, Nasdaq e S&P 500 tentam se recuperar do movimento corretivo recente, mas ainda precisam romper áreas técnicas importantes para confirmar a retomada da tendência de alta.
Já o Bitcoin segue em uma zona decisiva, negociando abaixo dos US$ 70 mil e sem força suficiente para confirmar uma recuperação mais consistente. Com isso, apesar da melhora pontual em parte dos ativos de risco, a semana começa com atenção aos próximos sinais técnicos do Ibovespa, do dólar, das bolsas americanas e das criptomoedas. A seguir, veja os principais pontos de suporte, resistência e confirmação para cada um desses ativos nos próximos pregões.
Análise técnica do Ibovespa
Pelo gráfico diário, observo que o Ibovespa segue em tendência de baixa desde a máxima histórica em 199.354 pontos, registrada em abril. No entanto, o índice conseguiu interromper a sequência recorde de oito semanas consecutivas de queda e encerrou a última semana com alta de 1,25%. No ano, ainda acumula valorização de 6,21%, embora tenha perdido força de forma significativa nas últimas semanas.
Apesar da recuperação recente, ainda não vejo sinal claro de reversão de tendência. O movimento atual continua sendo interpretado como um repique dentro de uma estrutura de baixa. Na última sessão, o índice recuou 0,21%, encerrando aos 171.132 pontos. O IFR (14) em 38,88 permanece em zona neutra, mas próximo de regiões que podem favorecer novas correções técnicas. Além disso, a média móvel de 200 períodos em 166.850 pontos segue como um suporte decisivo para o curto prazo.
Para que a recuperação ganhe consistência, será necessário superar as resistências em 173.935/178.340/181.560 pontos. Acima dessas regiões, os próximos objetivos passam a ser 187.780/192.890 pontos, com alvo mais longo na máxima histórica em 199.354 pontos. Por outro lado, a perda dos suportes em 168.070/166.850 pontos pode recolocar o índice em trajetória de baixa, abrindo espaço para 164.780/161.765 pontos e, posteriormente, 157.000/153.570 pontos.
Análise técnica do Dólar
No dólar futuro, observo um enfraquecimento do movimento de recuperação iniciado nas semanas anteriores. O contrato encerrou a última semana com queda de 2,32%, devolvendo parte dos ganhos recentes e voltando a chamar atenção para a tendência principal de baixa. Após romper a linha de tendência de baixa (LTB) do canal descendente, o ativo não conseguiu sustentar o movimento e agora testa uma região importante próxima das médias móveis de 9 e 21 períodos.
Na última sessão, recuou 0,86%, encerrando aos 5.083 pontos. O IFR (14) em 49,75 segue em região neutra. Para que o fluxo de baixa ganhe continuidade, será necessário perder os suportes em 5.080/4.992/4.910 pontos. Abaixo dessas regiões, os próximos alvos ficam em 4.842/4.798,5 pontos, com extensão para 4.752,5/4.697 pontos. Já uma retomada da recuperação exigirá rompimento das resistências em 5.124/5.225,5 pontos e da média de 200 períodos em 5.280 pontos. Acima disso, os alvos passam a ser 5.383,5/5.446 pontos, com projeção mais longa em 5.614 pontos.
Análise técnica da Nasdaq
A Nasdaq voltou a apresentar reação positiva após a correção observada na semana anterior. Apesar da alta recente, o índice ainda negocia abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos, o que mantém a atenção voltada para a força dessa recuperação. Após renovar máxima histórica em 27.190 pontos, o índice entrou em realização e agora busca reorganizar sua estrutura. Na última sessão, avançou 0,31% e encerrou o período aos 25.888 pontos. Em junho, acumula baixa de 4,02%.
Para retomar a tendência de alta, será necessário superar a resistência em 26.580 pontos e, posteriormente, a máxima histórica em 27.190 pontos. Acima dessas regiões, os alvos passam a ser 27.545/27.895 pontos e depois 28.330/29.000 pontos. Por outro lado, a perda de 25.645/24.980 pontos pode reacender a pressão vendedora, abrindo espaço para 24.200/23.165 pontos e, em um cenário mais amplo, para 22.500/22.020 pontos.
Análise técnica do S&P 500
O S&P 500 também apresentou recuperação na última semana e voltou a se aproximar da máxima histórica em 7.618 pontos. Ainda assim, o índice segue negociando entre as médias móveis e necessita de confirmação para retomar a tendência principal de alta. Atualmente cotado aos 7.430 pontos, o índice acumula queda de 1,89% em junho.
Para continuidade da recuperação, será necessário romper a máxima histórica em 7.618 pontos. Caso isso aconteça, os próximos objetivos estarão em 7.675/7.740 pontos e posteriormente em 7.810/7.935 pontos. Na ponta negativa, a perda dos suportes em 7.332/7.222 pontos pode reativar o fluxo corretivo, levando o índice para 7.045/6.890 pontos e, em um cenário mais amplo, para 6.727 pontos.
Análise do Bitcoin
O Bitcoin continua enfrentando dificuldades para retomar uma trajetória mais consistente de alta. Após falhar no rompimento da resistência em US$ 82.850, o ativo devolveu boa parte da recuperação e voltou a testar regiões importantes de suporte. A faixa dos US$ 59.130 segue sendo uma das principais referências para os compradores, enquanto os preços permanecem abaixo dos US$ 70.000 e oscilando entre as médias móveis de 9 e 21 períodos.
Para retomar o movimento de recuperação, será necessário superar US$ 65.000/US$ 70.465/US$ 74.450. Acima dessas regiões, os próximos alvos passam a ser US$ 78.200/US$ 82.850, com projeção mais longa em US$ 84.650. Por outro lado, a perda dos suportes em US$ 60.000/US$ 59.130 pode acelerar a pressão vendedora, levando o ativo para US$ 52.550/US$ 49.000 e, em um cenário mais amplo, para US$ 43.880.
IFR (14) – Ibovespa
O IFR (Índice de Força Relativa) é um dos indicadores mais populares da análise técnica. Medido de 0 a 100, costuma-se usar o período de 14. Leitura abaixo ou próxima de 30 indica sobrevenda e possíveis oportunidades de compra, enquanto acima ou próxima de 70 sugere sobrecompra e chance de correção. Além disso, o IFR permite a aplicação de técnicas como suportes, resistências, divergências e figuras gráficas. A partir disso, seguem as cinco ações mais sobrecompradas e sobrevendidas do Ibovespa.
Rodrigo Paz é analista técnico CNPI-T.



