O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira (23), pressionado pelo mau humor externo e pela ata do Copom, que reforçou a necessidade de juros elevados para conter a inflação. O dólar comercial subia a R$ 5,75, refletindo aversão ao risco global.
Ata do Copom indica juros altos por mais tempo
O Banco Central divulgou a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic em 14,25% ao ano. O documento destacou que o custo para levar a inflação à meta já em 2027 é elevado e que o cenário exige cautela. Segundo a ata, "a conjuntura demanda política monetária contracionista por período prolongado".
Mercados internacionais pressionam
Nos Estados Unidos, as bolsas caíam com forte liquidação em ações de tecnologia, após comentários do Federal Reserve sobre juros e preocupações com gastos em inteligência artificial. O Dow Jones recuava 1,2%, o S&P 500 perdia 1,8% e o Nasdaq despencava 2,5%. O índice de tecnologia da Nasdaq sofreu a maior queda diária em três semanas.
Dólar e juros futuros sobem
O dólar comercial avançava 0,8%, cotado a R$ 5,75, impulsionado pela fuga de capital para ativos seguros. No mercado de juros, as taxas futuras subiam, com o DI para janeiro de 2027 projetando 15,2% ao ano. O Tesouro IPCA+ voltou a ultrapassar 8,5% ao ano, maior nível desde o início do mês.
Destaques corporativos
A MRV anunciou a venda dos empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch, nos EUA, por US$ 139 milhões. Já a Azevedo & Travassos aprovou grupamento de ações na proporção de 20 para 1. A ação da Espaçolaser recuava 3% após anúncio de oferta secundária do Fundo Magnólia.
Análise de mercado
Segundo a XP Investimentos, a ata do Copom "reforça a visão de que a Selic deve permanecer elevada até o final de 2026, o que impacta negativamente ativos de risco no curto prazo". O mercado também monitora o cenário fiscal, com o governo discutindo novas medidas de contenção de gastos.



