Estrangeiros retiram US$ 5,5 bi do Brasil em um mês em ações e renda fixa
Estrangeiros retiram US$ 5,5 bi do Brasil em um mês

Em outubro, investidores estrangeiros retiraram US$ 5,5 bilhões do Brasil em aplicações em ações e renda fixa, o maior volume mensal desde março de 2020, quando a pandemia de covid-19 provocou uma fuga de capitais. O dado foi divulgado pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (25).

Saída recorde desde o início da pandemia

Segundo o BC, o fluxo cambial de estrangeiros para o mercado de capitais brasileiro ficou negativo em US$ 5,5 bilhões no mês passado. Desse total, US$ 3,2 bilhões saíram do mercado de ações e US$ 2,3 bilhões da renda fixa. O movimento ampliou a saída acumulada no ano para US$ 12,8 bilhões, ante US$ 7,3 bilhões no mesmo período de 2021.

O dado preocupa analistas, que apontam fatores como a alta da inflação global, o aperto monetário nos Estados Unidos e a incerteza fiscal no Brasil como motivos para a fuga de capital. "Os estrangeiros estão cautelosos com o ambiente macroeconômico brasileiro, especialmente com as discussões sobre o teto de gastos e o aumento da dívida pública", afirmou o economista-chefe de uma corretora, em nota.

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Impacto no câmbio e na bolsa

A retirada de recursos pressionou o dólar, que fechou outubro cotado a R$ 5,40, alta de 4% no mês. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 3,2% no período, influenciado também pelo cenário externo adverso.

O BC informou ainda que o fluxo total de câmbio (incluindo comércio exterior e serviços) ficou negativo em US$ 2,1 bilhões em outubro, contra superávit de US$ 1,5 bilhão em setembro. No ano, o saldo cambial é positivo em US$ 10,4 bilhões, mas o movimento de capitais financeiros tem sido o principal vilão.

Perspectivas para os próximos meses

Especialistas projetam que a saída de estrangeiros pode continuar nos próximos meses, caso o cenário fiscal não seja esclarecido. "Enquanto não houver uma sinalização clara de responsabilidade fiscal, os investidores vão permanecer na defensiva", disse o analista de uma gestora de recursos. A expectativa é que o fluxo de capital estrangeiro só volte a se normalizar com a aprovação de reformas estruturais e a queda da inflação global.

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