Déficit primário de R$ 53,3 bi em maio; bloqueio sobe para R$ 23,7 bi
Déficit de R$ 53,3 bi em maio; bloqueio vai a R$ 23,7 bi

O governo central registrou um déficit primário de R$ 53,3 bilhões em maio, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. Com esse resultado, o déficit acumulado entre janeiro e maio de 2026 alcançou R$ 44,4 bilhões. O aumento das despesas, especialmente com previdência e benefícios sociais, superou o crescimento das receitas no período.

Despesas superam receitas e pressionam contas

Em maio, as receitas totais do governo central somaram R$ 188,7 bilhões, enquanto as despesas atingiram R$ 242 bilhões, resultando no déficit de R$ 53,3 bilhões. No acumulado do ano, as receitas cresceram 4,2% em termos reais, mas as despesas avançaram 6,8%, puxadas principalmente pelos gastos com a Previdência Social, que tiveram alta de 7,5% no período.

O Tesouro Nacional destacou que o resultado de maio foi influenciado por fatores sazonais, como o pagamento de precatórios e o 13º salário dos servidores. No entanto, a trajetória de crescimento das despesas obrigatórias preocupa o governo, que busca cumprir a meta fiscal de superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.

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Bloqueio orçamentário ampliado para R$ 23,7 bilhões

Para tentar equilibrar as contas e atingir a meta, o governo ampliou o bloqueio de recursos orçamentários discricionários. O valor total bloqueado subiu para R$ 23,7 bilhões, ante R$ 19,5 bilhões no relatório anterior. O contingenciamento atinge principalmente investimentos e custeio da máquina pública, mas não afeta despesas obrigatórias como salários e benefícios previdenciários.

De acordo com o Tesouro, a ampliação do bloqueio foi necessária diante da frustração de receitas e do aumento de despesas obrigatórias. O governo espera que a medida ajude a conter o avanço do déficit nos próximos meses, mas analistas apontam que o cenário fiscal ainda é desafiador.

Impacto na meta fiscal e perspectivas

O déficit acumulado de R$ 44,4 bilhões em cinco meses representa 0,4% do PIB. Para cumprir a meta de superávit de 0,5% do PIB, o governo precisará gerar um resultado positivo de cerca de R$ 100 bilhões nos sete meses restantes do ano. Especialistas consideram a tarefa difícil, dado o ritmo atual de crescimento das despesas e a incerteza sobre a arrecadação.

O secretário do Tesouro Nacional, em entrevista coletiva, afirmou que o governo está comprometido com a responsabilidade fiscal e que novas medidas de ajuste podem ser adotadas, caso necessário. Ele destacou que o bloqueio orçamentário é uma ferramenta importante para garantir o cumprimento da meta, mas ressaltou que o cenário econômico ainda é volátil.

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