A taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,6% no trimestre encerrado em maio, o menor patamar desde 2012, segundo dados oficiais. A subutilização da força de trabalho também caiu, para 13,3%. Especialistas atribuem o aquecimento do mercado a uma combinação de fatores como formalização, valorização do salário mínimo e estímulos fiscais, que têm pressionado a oferta de profissionais.
Mercado de trabalho aquecido e oferta limitada
De acordo com analistas, a forte expansão fiscal tem gerado demanda por mão de obra, mas a oferta de profissionais qualificados não acompanha o ritmo. “Há um aperto na oferta de trabalhadores, especialmente em setores como serviços e construção civil”, afirma Carlos Alberto, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A taxa de desemprego, que já havia surpreendido no trimestre anterior, segue em trajetória de queda.
Inflação resistente e impacto na Selic
Apesar do bom momento no emprego, a inflação continua elevada, dificultando cortes mais agressivos na taxa Selic. O Banco Central mantém postura cautelosa, e o mercado projeta manutenção dos juros básicos nas próximas reuniões. “A inflação de serviços ainda pressiona, e o mercado de trabalho aquecido pode gerar pressões salariais”, alerta Maria da Silva, economista-chefe do Banco ABC.
Perspectivas para os próximos meses
Para os próximos trimestres, a expectativa é de que o desemprego se mantenha em níveis baixos, mas a sustentabilidade desse cenário depende do controle fiscal e da trajetória da inflação. O governo, por sua vez, aposta no crescimento econômico para manter a geração de empregos formais, que atingiu recorde em maio com mais de 200 mil novas vagas com carteira assinada.



