Taxa de desemprego cai para 7,1% em maio, menor nível desde 2014
Desemprego cai a 7,1% em maio, menor desde 2014

A taxa de desemprego no Brasil recuou para 7,1% no trimestre encerrado em maio de 2024, o menor nível desde 2014, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgados pelo IBGE. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava 7,3%, e reforça o cenário de economia aquecida, embora a taxa de participação ainda se mantenha abaixo da média histórica.

Queda do desemprego e mercado de trabalho aquecido

O número de desempregados caiu para 7,8 milhões de pessoas, uma redução de 5,5% em relação ao trimestre anterior e de 12,4% na comparação anual. Já o número de ocupados atingiu 99,4 milhões, novo recorde da série histórica, com alta de 1,3% no trimestre e de 2,9% ante o mesmo período de 2023. A renda média real do trabalhador ficou em R$ 3.206, estável frente ao trimestre anterior, mas com crescimento de 5,2% em 12 meses.

Taxa de participação ainda abaixo da média histórica

Apesar dos números positivos, a taxa de participação — que mede a proporção de pessoas em idade ativa que estão trabalhando ou buscando trabalho — ficou em 62,2%, abaixo da média histórica de 62,5% registrada antes da pandemia. Segundo o IBGE, isso indica que ainda há pessoas que não retornaram ao mercado de trabalho, seja por desalento ou por opção. “A taxa de participação ainda não se recuperou totalmente, o que sugere que parte da população economicamente ativa permanece fora do mercado”, afirmou Adriana Beringuy, coordenadora da PNAD Contínua.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Setores que mais empregaram

O setor de serviços foi o principal responsável pelo aumento da ocupação, com destaque para informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, que cresceram 2,5% no trimestre. A indústria também registrou alta de 1,7%, enquanto o comércio ficou estável. A construção civil teve leve recuo de 0,3%. No setor público, houve crescimento de 1,6% no número de servidores.

Impacto na economia e expectativas

O mercado de trabalho aquecido tende a pressionar a inflação de serviços, o que pode influenciar as decisões do Banco Central sobre a taxa Selic. Economistas consultados pelo InfoMoney avaliam que o dado reforça a necessidade de cautela na política monetária, já que a renda em alta e o emprego em expansão podem sustentar o consumo. Por outro lado, a baixa participação ainda limita a oferta de mão de obra, o que pode gerar gargalos em alguns setores.

Para os próximos meses, a expectativa é de que a taxa de desemprego continue caindo, mas em ritmo mais lento, dado o esgotamento do estoque de trabalhadores disponíveis. O IBGE ressalta que a recuperação plena da taxa de participação é fundamental para evitar pressões salariais excessivas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar