Montar uma posição vendida, ou short selling, consiste em tomar emprestada uma ação e vendê-la, com a intenção de comprá-la de volta a um preço mais baixo no futuro. De maneira geral, os investidores buscam lucro ao devolver a ação emprestada ao credor. Em novo relatório elaborado pelos analistas da XP, a instituição avaliou e elencou as principais ações com alta demanda de aluguel.
Três parâmetros avaliados: short interest, DTC e taxa de aluguel
Três parâmetros foram avaliados: short interest, days to cover (DTC) e taxa de aluguel. O short interest é a razão entre o total de ações alugadas que ainda não foram cobertas ou compradas de volta para fechar a posição e a quantidade de ações disponíveis para negociação na bolsa. De maneira geral, um short interest acima de 10% é considerado alto.
A DTC, por outro lado, é uma métrica que indica quantos dias seriam necessários para que os vendedores a descoberto cobrissem suas posições existentes. Ou seja, o tempo estimado para que as ações alugadas sejam vendidas e recompradas, com base na liquidez da ação. Da mesma forma, um DTC acima de 10 também é considerado alto.
Métricas como termômetro do humor dos investidores
De acordo com os analistas, os dados compilados pela XP também podem servir como termômetro do humor dos investidores e suas expectativas para algumas ações. “Em geral, quando essas métricas (de short selling) são altas, tende a ser um sinal de baixa, pois podem indicar que os investidores institucionais estão esperando que as ações caiam ou que estão aumentando suas apostas contra as ações”, explicam os analistas.
Ao emprestar uma ação para um tomador, o investidor precisa pagar uma taxa de juros no fechamento da operação — a taxa de aluguel. Quanto mais alta for a taxa de aluguel, pode-se dizer que há uma demanda maior por montar uma posição curta no ativo negociado. Ou seja, os investidores estão esperando que essa ação caia.
Quais ações estão com mais demanda de aluguel?
O setor de varejo permanece como o grupo com as maiores variações em taxa de aluguel, mas com troca de empresas no primeiro lugar. Substituindo o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), o Assaí (ASAI3) agora é a companhia com a maior variação, de 23,4%, uma alta de 20,5 pontos percentuais (p.p.) nos 14 dias anteriores à análise.
Os dados de short selling dos ativos brasileiros se baseiam nos números de fechamento de 26 de junho de 2026. A PCAR3 agora ocupa o terceiro lugar, atrás apenas da MBRF (MBRF3), com variação de 18,1 p.p. contra os 17,7 p.p. da supermercadista. A Gafisa (GFSA3) e a Azzas (AZZA3) completam o Top 5, com variações de 17,4 p.p. e 15,3 p.p., respectivamente.
Azul lidera taxa de aluguel com 49,7%
A Azul (AZUL3) teve a maior taxa de aluguel do relatório, com quase 50%. A companhia registrou 49,7% de taxa. Para comparação, a segunda colocada, a Azzas, estava com 35,7%. O Assaí completou o Top 3, com taxa de aluguel de 23,4%.
O último relatório destacou que o short interest (SI) mediano do Ibovespa aumentou 63 pontos-base (bps), para 7,2%. Já as posições em aberto recuaram para R$ 124,8 bilhões, uma queda de 2,4% em relação ao relatório anterior.



