O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou deflação de 0,50% em junho, após alta de 0,84% em maio, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado foi influenciado principalmente pela queda do preço do petróleo e pelas boas safras agrícolas, que reduziram os custos no atacado. No entanto, economistas alertam que o fenômeno El Niño pode reverter esse alívio nos próximos meses, especialmente sobre os preços dos alimentos.
Queda do petróleo e safras puxam deflação
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do IGP-M, caiu 0,97% em junho, contribuindo decisivamente para a deflação do índice geral. A diminuição dos preços do petróleo no mercado internacional e a oferta abundante de commodities agrícolas, como soja e milho, foram os principais fatores. "A boa safra de cana-de-açúcar também ajudou a reduzir os preços dos combustíveis e da energia", destacou Matheus Dias, economista do FGV Ibre.
IPC sobe 0,47% e mantém pressão inflacionária
Em contrapartida, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação ao consumidor final, subiu 0,47% em junho. Os grupos de alimentação, habitação e transportes registraram altas, ainda que moderadas. Apesar da deflação no atacado, a inflação ao consumidor segue pressionada pela demanda aquecida em ano eleitoral, com projeção de 5,33% para o IPCA de 2026, segundo o Boletim Focus. A taxa Selic permanece em 14% ao ano.
El Niño ameaça safras e pode reverter tendência
O economista Matheus Dias alertou que o El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico, pode impactar negativamente as safras do segundo semestre, elevando os preços dos alimentos. "Se o clima adverso se confirmar, a tendência de queda nos preços agrícolas pode se inverter, gerando pressão inflacionária adiciona", afirmou. O IPA já mostrava em junho uma desaceleração nos preços de alimentos in natura, mas a incerteza climática preocupa.
Perspectivas para o IGP-M e inflação
A deflação de junho representa um alívio temporário, mas a trajetória do IGP-M dependerá da evolução dos custos de produção e do comportamento das commodities. A FGV Ibre mantém a projeção de inflação estável em 5,33% para o ano, considerando os riscos fiscais e climáticos. A combinação de demanda aquecida, câmbio volátil e possíveis choques de oferta pode manter a inflação acima da meta, que é de 3,0% com tolerância de 1,5 ponto percentual.



