Correios vendem imóveis e levantam R$ 387 milhões em meio a crise
Correios vendem imóveis e levantam R$ 387 mi

Em meio a uma grave crise financeira, os Correios têm atuado como uma espécie de imobiliária, acelerando um plano de venda de imóveis para cortar custos e obter alívio no caixa. Nos últimos meses, foram alienadas mais de 30 unidades — de terrenos a pontos comerciais e prédios históricos — levantando R$ 387 milhões, conforme dados informados à Coluna. A meta é chegar a R$ 1,5 bilhão no acumulado do ano.

Imóveis ociosos motivam desinvestimento

Os Correios detêm 2,3 mil imóveis espalhados pelo País, muitos sem uso e em situação deteriorada, o que motivou a iniciativa de se desfazer deles. Do total de vendas realizado até aqui, R$ 207 milhões ocorreram via leilões, enquanto R$ 180 milhões se deram via vendas diretas para o setor público.

Alienações envolvem marcos urbanos

A liquidação envolveu casos como o complexo operacional de Pituba, em Salvador (R$ 97,8 milhões); um terreno em Brasília (R$ 86,2 milhões) e um prédio comercial em Belo Horizonte (R$ 8,9 milhões). Em Salvador, o prédio servia como antiga sede, desativada desde 2018, e foi arrematado pela incorporadora Moura Dubeux. O imóvel, a duas quadras da praia, tem aproximadamente 34 mil m² e dará lugar a um empreendimento imobiliário. A venda foi feita por valor abaixo do laudo de avaliação, que apontava R$ 159,3 milhões, com lance mínimo de R$ 130,3 milhões. Antes disso, foram mais de 20 tentativas sem compradores.

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Outro exemplo envolveu a Prefeitura de São Paulo, que ficou com o histórico Palácio dos Correios, na Avenida São João, vendido por R$ 79,5 milhões. Desde maio do ano passado, o prédio era objeto de termo de cessão de uso gratuito ao município.

Processo faz parte de plano de reestruturação

Em nota à Coluna, a estatal afirmou que vem implementando ações para otimização e monetização do patrimônio imobiliário em todo o País, com foco na redução de custos, geração de receitas e uso mais eficiente dos ativos, conforme definido no seu plano de reestruturação. “Essas medidas fortalecem a sustentabilidade econômico-financeira da empresa e tornam a gestão do portfólio imobiliário mais eficiente e dinâmica”, informou.

Quanto à expectativa de atingir R$ 1,5 bilhão em vendas neste ano, ponderou que isso vai depender da capacidade de absorção do mercado. Neste momento, há mais R$ 403 milhões na esteira de alienações. “Diversas ações de prospecção estão sendo implementadas com o objetivo de atingir interessados para cada perfil de imóvel”.

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