O Brasil já viveu o auge do álcool combustível, a crise do carro a álcool, a era dos motores flex, a chegada de carros elétricos importados e, agora, a fabricação nacional de elétricos. Os proprietários de veículos no país passaram por diversas fases em relação ao combustível de seus carros. Os veículos elétricos, no entanto, parecem ter vindo para ficar, mesmo com o aumento dos impostos de importação.
Retorno da tarifa cheia para elétricos importados
Em julho, voltará a valer a tarifa cheia de 35% para carros elétricos importados. A mudança é resultado do lobby das montadoras instaladas no Brasil, representadas pela Anfavea, que argumentam que a medida acelerará a fabricação local. A tarifa mais elevada valerá para modelos importados de carros elétricos (com bateria elétrica recarregável), híbridos plug-in (combustão e bateria elétrica recarregável) e híbridos convencionais (motores a combustão e elétrico em operação conjunta).
Futuro dos combustíveis automotivos
Não ouso projetar o futuro dos combustíveis automotivos, pois as pesquisas por substitutos dos combustíveis fósseis (gasolina e diesel) certamente continuarão. O etanol, biocombustível que poderia ser muito mais utilizado no Brasil, sofre com as leis de mercado. Como a cana-de-açúcar é o principal insumo no mercado nacional e pode gerar tanto açúcar quanto álcool, a produção depende das cotações do açúcar no mercado mundial. Por isso, abastecer com álcool só se justifica em meia dúzia de estados brasileiros, devido à proximidade das usinas produtoras.
O dilema: gastar mais e poluir menos ou gastar menos e poluir mais
Esse dilema deve continuar até que seja possível aumentar a eficiência energética do etanol em relação à gasolina. Até agora, o etanol rende cerca de 30% a menos que o combustível fóssil. O governo federal pretende elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32), sustentando que testes comprovam a viabilidade da medida. No entanto, estados que dependem da produção de etanol de outras unidades da federação devem ficar atentos ao custo do frete.
Combustíveis automotivos: tema permanente na pauta
Fica claro que o mercado de combustíveis automotivos jamais sairá da pauta dos governos, cientistas, fabricantes e consumidores. A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã tumultuou o mercado mundial de petróleo, não apenas pelos entraves à produção iraniana e de países vizinhos no Oriente Médio, mas também pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde trafega cerca de um terço da produção mundial de petróleo.



