A Volkswagen planeja demitir 100 mil funcionários até 2030, segundo apuração do jornal inglês Financial Times. O número é o dobro do inicialmente anunciado pela montadora alemã, que havia comunicado planos de cortar 50 mil postos de trabalho como parte de uma reorganização para conter o avanço de fabricantes chinesas na Europa.
A empresa tem atualmente 625 mil funcionários globalmente. Se concretizado, o corte representará a eliminação de praticamente um em cada seis postos de trabalho atuais. Seria um dos maiores planos de demissão da história, superando o corte de 74 mil funcionários promovido pela General Motors nos anos 1990, que também fechou 21 fábricas nos Estados Unidos e Canadá, e a demissão de mais de 60 mil funcionários da IBM em 1993.
Fechamento de fábricas na Alemanha
Além das demissões, o plano original — revelado pela primeira vez pela revista alemã Manager Magazin — prevê o encerramento da produção em mais quatro fábricas: três unidades da Volkswagen em Emden, Zwickau e Hannover, além de uma fábrica da Audi em Neckarsulm, todas na Alemanha. Cortes anteriores previstos pela Volkswagen, uma das maiores empregadoras industriais privadas da Alemanha, foram reduzidos após negociações com sindicatos e representantes dos trabalhadores.
O corte de funcionários e o fechamento de fábricas fazem parte de uma estratégia do CEO do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, de concentrar as operações no setor automotivo, vendendo outros ativos e operações não diretamente relacionadas à fabricação de automóveis.
Pressão de tarifas e concorrência chinesa
Em 2024, a empresa chegou a um acordo com os sindicatos locais para cortar funcionários e reduzir a produção na Alemanha. No entanto, segundo Blume, as tarifas impostas pelos Estados Unidos, os conflitos no Oriente Médio e o avanço das fabricantes chinesas exigem ações ainda mais drásticas. Procurada pelo Financial Times, a Volkswagen não quis se pronunciar sobre o caso. "As questões de fundo são discutidas e aprovadas pelos órgãos de governança competentes. Não nos anteciparemos a esse processo", afirmou a empresa. Os detalhes devem ser apresentados ao conselho fiscal da empresa na próxima reunião, marcada para o dia 9 de julho.
Assim como a Volkswagen, todas as fabricantes de carros na Europa têm sido afetadas pelo avanço de rivais chineses. Segundo dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea), um em cada 10 novos veículos vendidos na região nos primeiros cinco meses de 2026 são chineses.



