O mercado brasileiro de motocicletas vive um momento de expansão. Depois de superar os automóveis em número de emplacamentos durante cinco meses consecutivos, segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), o segmento também começa a mudar um cenário histórico: o baixo número de motos seguradas. Na avaliação da Porto Seguro, produtos mais acessíveis estão atraindo um público que antes simplesmente não conseguia contratar uma apólice.
Azul Moto Compacto: porta de entrada para novos segurados
O principal exemplo é o Azul Moto Compacto, uma modalidade de seguro mais em conta que foi lançada no ano passado. Segundo a companhia, 90% dos clientes que contrataram esse produto estão fazendo seguro de moto pela primeira vez. O dado foi revelado pelo diretor de Produtos Auto da Porto Seguro, Jaime Soares, em entrevista exclusiva ao Jornal do Carro.
“90% das pessoas que estão contratando esse seguro são pessoas que estão fazendo seguro pela primeira vez, ou seja, consumidores que até então não tinham acesso ao seguro, até a gente conseguir criar essa oferta mais customizada”, afirmou Jaime Soares.
Para chegar a esse público, a empresa desenvolveu um produto com custo entre 20% e 30% inferior ao de um seguro tradicional. A redução foi possível graças a uma proposta mais enxuta e ao uso de peças novas de reposição, em vez de peças genuínas, mantendo as coberturas para colisão, roubo, furto e incêndio.
Desmistificando o preço do seguro de moto
Segundo Jaime, o objetivo é quebrar uma percepção que acompanha o mercado há anos: a de que seguro de moto é muito caro. “Estamos num outro momento, numa outra realidade. É possível encontrar produtos bem mais baratos, com algumas limitações de cobertura, até seguros muito completos, com proteção para equipamentos e viagens ao Mercosul. Queremos desmistificar que seguro para motocicleta é caro e inacessível.”
Mercado em crescimento: motos superam carros em vendas
A estratégia acompanha um momento favorável para o segmento. De acordo com Rodrigo Herzog, diretor de Sinistros Auto da Porto Seguro, o mercado de motocicletas não apenas continua crescendo como já ultrapassa o de automóveis em volume de vendas.
“Quando olhamos os dados da Fenabrave, em 2026 os emplacamentos de motos cresceram 15% em relação ao ano anterior. Além disso, nos últimos cinco meses o Brasil emplacou mais motos do que carros. É um segmento em que precisamos buscar excelência e especialização”, afirmou o executivo.
Queda nos roubos ajuda a tornar seguro mais competitivo
Outro fator que vem mudando o cenário é a redução dos índices de criminalidade. Segundo levantamento da Porto Seguro, a frequência de roubos e furtos de motocicletas caiu entre 35% e 40% na Região Metropolitana de São Paulo no primeiro quadrimestre deste ano. Entre as motos de maior cilindrada, a queda supera os 40%, de acordo com a empresa.
Jaime explica que essa melhora tem impacto direto na precificação dos seguros. “Quando o Estado melhora a questão da segurança, isso ajuda todo mundo. Além disso, as seguradoras utilizam inteligência analítica para precificar melhor os riscos. Quem apresenta menor probabilidade de roubo consegue preços mais competitivos. É a soma dessas duas coisas.”
O executivo lembra que o roubo continua sendo um componente importante na composição do preço, mas ressalta que colisões também têm grande peso, especialmente porque uma queda pode facilmente levar uma motocicleta à perda total.
Porto cria operação exclusiva para motocicletas
O crescimento da frota também levou a Porto Seguro a rever toda sua estrutura operacional. A empresa praticamente triplicou sua rede de oficinas referenciadas, passando de cerca de 130 unidades para mais de 390, além de criar equipes para atender somente motocicletas. Hoje, a companhia conta com peritos, inspetores e analistas especializados apenas nesse segmento.
“Criamos uma esteira dedicada para motos. Os inspetores conhecem motocicletas, as oficinas são especializadas e todo o processo foi adaptado para devolver o veículo ao cliente com mais rapidez e qualidade”, afirmou Rodrigo Herzog.
Outra novidade foi a criação de um concierge para motos premium, semelhante ao já existente para automóveis. O serviço acompanha o cliente desde a abertura do sinistro até a entrega da motocicleta reparada, mantendo comunicação constante durante todo o processo. A especialização chegou até à assistência 24 horas. Em vez dos tradicionais guinchos utilizados para carros, a Porto desenvolveu picapes adaptadas especificamente para transportar motocicletas, permitindo atendimentos mais rápidos e seguros.
Seguro passou a cobrir até capacetes e jaquetas
Existe ainda a possibilidade de incluir equipamentos utilizados pelos motociclistas, como capacetes, jaquetas, botas e luvas no seguro. Segundo Jaime Soares, essa cobertura surgiu depois que a empresa identificou duas situações ao mesmo tempo: pesquisas mostravam que motociclistas investiam milhares de reais em equipamentos de proteção, enquanto os processos de sinistro revelavam pedidos frequentes de indenização para esses itens.
“Pesquisando diferentes públicos, identificamos motociclistas que investiam muito na própria proteção. Ao mesmo tempo, percebemos que muitos clientes tentavam pedir reembolso desses equipamentos durante os sinistros. Juntamos essas informações e criamos uma cobertura específica para as indumentárias”, explicou. Segundo o executivo, o investimento nesses acessórios pode ultrapassar facilmente R$ 20 mil entre capacetes, jaquetas, botas e roupas técnicas utilizadas por motociclistas de alta cilindrada.
Os serviços mais acionados pelos motociclistas
Dados exclusivos enviados pela Porto Seguro ao Jornal do Carro mostram que os acionamentos do seguro estão muito mais relacionados a panes do que a acidentes. Os serviços mais utilizados são: guincho por pane (58%); socorro técnico no local, como carga de bateria (19%); guincho por sinistro (19%); assistência ao passageiro (2%); e chaveiro (1%). Os números mostram que, na prática, o seguro é utilizado principalmente para resolver problemas mecânicos e garantir mobilidade, e não apenas em casos de colisão ou roubo.



