Mineradora canadense troca presidente no Brasil em meio a disputa no Xingu
Mineradora canadense troca presidente no Brasil

A mineradora canadense Belo Sun anunciou a troca de seu presidente no Brasil, em meio a uma intensa disputa judicial e ambiental relacionada ao projeto Volta Grande, localizado na região do Xingu, no Pará. A empresa, que há anos enfrenta resistência de comunidades indígenas e organizações ambientais, busca reestruturar sua liderança no país para tentar avançar com o empreendimento.

Mudança na presidência

A Belo Sun comunicou ao mercado que o executivo brasileiro Paulo Sérgio de Oliveira deixou o cargo de presidente da operação local. Em seu lugar, assumiu Mark Eaton, executivo canadense que já integrava o conselho da companhia. A troca ocorre em um momento delicado, no qual a empresa aguarda decisões judiciais que podem definir o futuro do projeto.

De acordo com fontes próximas à mineradora, a mudança visa fortalecer a interlocução com investidores e autoridades, além de trazer uma nova abordagem para as negociações com as comunidades afetadas. Eaton tem experiência em projetos de mineração de grande porte em outros países e chega com a missão de destravar o licenciamento ambiental.

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Disputa no Xingu

O projeto Volta Grande, um dos maiores depósitos de ouro do Brasil, está localizado às margens do rio Xingu, próximo à cidade de Altamira. Desde 2013, a Belo Sun enfrenta ações judiciais movidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e por organizações indígenas, que alegam que o empreendimento causará danos irreversíveis ao meio ambiente e às comunidades tradicionais da região.

Em 2024, a Justiça Federal suspendeu a licença prévia do projeto, determinando a realização de novos estudos de impacto ambiental. A decisão foi um revés para a mineradora, que já havia investido milhões de dólares no desenvolvimento do projeto.

Recentemente, a empresa obteve uma vitória parcial: o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) autorizou a retomada de algumas atividades de pesquisa, mas manteve a suspensão da licença. A expectativa é que o caso seja julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) nos próximos meses.

Impacto nas comunidades

As comunidades indígenas da região, como os juruna e os arara, se manifestaram contra a mineração no Xingu. Lideranças afirmam que o projeto ameaça a biodiversidade e o modo de vida tradicional. Por outro lado, a Belo Sun argumenta que o empreendimento gerará empregos e desenvolvimento econômico para a região, que é uma das mais pobres do Pará.

A mineradora também se comprometeu a implementar programas de compensação ambiental e social, mas as negociações com as comunidades têm sido marcadas por desconfiança e impasses.

Reações e perspectivas

Ambientalistas e entidades de defesa dos direitos indígenas consideram a troca de presidente uma tentativa de maquiar a imagem da empresa. Para eles, a Belo Sun não demonstra compromisso real com a sustentabilidade.

Já analistas de mercado veem a mudança com cautela. Para o setor de mineração, o caso Belo Sun é emblemático dos desafios enfrentados por empresas estrangeiras no Brasil, especialmente na Amazônia. A nova presidência terá o desafio de equilibrar interesses econômicos, ambientais e sociais.

Enquanto isso, a disputa no Xingu segue sem previsão de solução. A Belo Sun afirma que continuará buscando o diálogo e o cumprimento das exigências legais, mas o futuro do projeto permanece incerto.

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