O conceito de ESG (ambiental, social e governança) está entrando em um novo estágio, no qual a governança corporativa e o uso de dados concretos ganham protagonismo. De acordo com especialistas ouvidos pelo GLOBO, a agenda, que antes era vista como um diferencial, tornou-se uma exigência para empresas que desejam atrair investimentos e se manter competitivas.
Mudança de paradigma
Segundo levantamento da consultoria KPMG, 96% das maiores empresas do mundo já publicam relatórios de sustentabilidade, mas a qualidade e a comparabilidade das informações ainda são desafios. “O mercado não aceita mais promessas vagas. Querem ver dados, métricas e, principalmente, resultados”, afirma João Paulo de Oliveira, diretor de sustentabilidade do Banco Itaú.
A pressão vem de diversos lados: investidores institucionais, reguladores e consumidores. Na Europa, a diretiva CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive) já exige relatórios padronizados. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estuda adotar regras semelhantes.
Governança como pilar central
Dos três pilares do ESG, a governança tem se destacado como o mais crítico. “Sem governança, não há credibilidade nas ações ambientais e sociais”, afirma Maria Silva, analista da XP Investimentos. Ela explica que a governança inclui transparência, composição do conselho, políticas de compliance e combate à corrupção.
Estudo da consultoria McKinsey mostra que empresas com boas práticas de governança têm retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) 12% maior do que a média do mercado. Além disso, são menos voláteis em crises.
Dados e tecnologia
A coleta e análise de dados ambientais e sociais tornou-se prioridade. Ferramentas de inteligência artificial e blockchain são usadas para rastrear emissões de carbono, verificar cadeias de suprimentos e medir impacto social. A startup brasileira GreenPlat, por exemplo, desenvolveu uma plataforma que calcula a pegada de carbono de produtos em tempo real.
“A tecnologia permite que as empresas saiam do discurso para a ação mensurável”, diz Carlos Mendes, CEO da GreenPlat. Ele cita o caso de uma grande varejista que reduziu em 30% as emissões de escopo 3 (cadeia de valor) após adotar a plataforma.
Impacto nos negócios
A agenda ESG já impacta o acesso a capital. Fundos de investimento com critérios ESG somam US$ 35 trilhões globalmente, segundo a Global Sustainable Investment Alliance. No Brasil, os fundos sustentáveis cresceram 40% em 2025.
Empresas que ignoram o tema enfrentam riscos reputacionais e financeiros. “O ESG deixou de ser opcional. É uma questão de sobrevivência no longo prazo”, conclui Oliveira, do Itaú.



