Goleiro que enfrentou CR7 relata crescimento na Arábia Saudita
Goleiro que enfrentou CR7 relata crescimento na Arábia

O goleiro Kewin Silva, de 31 anos, natural de Sorocaba (SP), vive a transformação do futebol na Arábia Saudita como camisa 1 do Dhamk Club. Em entrevista ao g1, ele relatou a rotina no país, o choque cultural e a experiência marcante de defender um chute de Cristiano Ronaldo.

Trajetória do futsal ao Oriente Médio

Antes de chegar à Arábia Saudita em agosto de 2025, Kewin se destacou no Mirassol durante o Paulistão de 2020, quando eliminou o São Paulo. O desempenho abriu portas na Europa, onde defendeu o Moreirense, de Portugal, por cinco temporadas. Agora, na elite saudita, divide campo com astros como Neymar, Karim Benzema e Cristiano Ronaldo.

“Sempre tive o desejo de jogar aqui, porque é uma liga que vem crescendo muito. E não são apenas os grandes clubes que têm investimento. Praticamente todas as equipes têm jogadores de muita qualidade, muitos deles de seleção”, afirma o goleiro.

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Diferenças culturais e arquibancadas

Apesar dos contratos milionários – quase 1 bilhão de euros movimentados globalmente nas últimas janelas –, Kewin aponta que o campeonato ainda peca no calor humano das arquibancadas. “Os grandes clubes sempre lotam os estádios, mas, nos demais jogos, a presença da torcida ainda deixa a desejar. A paixão do torcedor brasileiro é difícil de ser igualada”, diz.

Por causa do calor extremo, a rotina de treinos e comércio acontece à noite. Durante o Ramadã, mês sagrado muçulmano de jejum diurno, jogos e treinos passam a ser realizados a partir das 22h. “Por ser um país muçulmano, existem costumes como o uso da abaya e do hijab pelas mulheres. Além disso, a vida acontece mais à noite, então você não vê tanto movimento durante a manhã”, conta.

Encontro com CR7 e prêmio individual

No Damac, onde tem valor de mercado estimado em 800 mil euros, Kewin protagonizou um milagre em uma cabeçada à queima-roupa de Cristiano Ronaldo, pelo Al Nassr. “Enfrentei dois vencedores da Bola de Ouro: o Cristiano e o Benzema. Conversei bastante com o Cristiano durante o jogo. Ele é muito acessível e chegou até a me cumprimentar por uma defesa que fiz. É sempre uma grande expectativa enfrentar jogadores desse nível”, celebra.

A evolução rendeu frutos: em dezembro, Kewin superou goleiros consagrados como Bono (Al Hilal) e Édouard Mendy (Al Ahli) ao faturar o prêmio oficial de Melhor Goleiro do Mês da Liga Saudita. “Hoje a liga tem atletas como Bounou e Mendy, que disputam Copa do Mundo e são referências na posição. Em dezembro, tive a felicidade de conquistar o prêmio competindo diretamente com eles. Isso mostra que, quando você está entre os melhores, precisa evoluir todos os dias”, celebra.

Sacrifícios e sonho realizado

Ao relembrar a trajetória iniciada na infância, Kewin destaca os sacrifícios. “Meus pais estavam no estádio contra o Al Nassr e puderam conhecer o Cristiano Ronaldo. Jogo desde os sete anos e, aos 14, saí de casa para correr atrás do meu sonho, não foi fácil. Depois de tudo o que fizeram por mim, ver que o esforço valeu a pena é um presente”, emociona-se.

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