A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure nesta quinta-feira, revelando uma fraude contábil bilionária na Americanas. O esquema, que inflou os resultados da empresa em R$ 25,3 bilhões, utilizou contratos fictícios de verba de propaganda cooperada (VPC) e o mecanismo de risco sacado para ocultar dívidas, totalizando um rombo de R$ 54 bilhões.
Como a fraude foi montada
A engenharia financeira envolvia o uso de verbas publicitárias fictícias e a ocultação de dívidas por meio de operações de risco sacado. Essas práticas permitiram mascarar manobras contábeis que distorceram o balanço da varejista. Segundo a investigação, a fraude contábil foi orquestrada por executivos da empresa, que manipulavam lançamentos financeiros para apresentar resultados positivos.
O esquema incluía a criação de redutores artificiais no passivo, reduzindo artificialmente as dívidas registradas. A Americanas também utilizava contratos de VPC sem lastro real, gerando receitas fictícias. O rombo total de R$ 54 bilhões foi revelado após a recuperação judicial da empresa em janeiro de 2023.
Impacto e desdobramentos
A Operação Disclosure, em sua segunda fase, mira os responsáveis pela fraude. A Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ex-executivos da Americanas. O valor inflado de R$ 25,3 bilhões corresponde à diferença entre os resultados reportados e os reais, conforme apurado pela investigação.
De acordo com a PF, a fraude causou prejuízos a acionistas, credores e ao mercado financeiro. A Americanas, que entrou com pedido de recuperação judicial, tem dívidas estimadas em R$ 54 bilhões. O caso é um dos maiores escândalos contábeis do Brasil.



