Fintech Cerus capta R$ 300 mi em FIDC para crédito a condomínios
Cerus capta R$ 300 mi em FIDC para crédito a condomínios

A fintech Cerus, com sede em Fortaleza e atuação nacional, captou R$ 300 milhões por meio de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados (FIDC NP). O recurso será destinado a empréstimos para condomínios residenciais e comerciais.

Origem e crescimento da Cerus

Fundada em 2020, durante a pandemia, a Cerus nasceu da observação de seus fundadores — Luciano Macedo (CEO) e a S6 Participações — sobre a oportunidade de antecipação de recebíveis para condomínios, severamente impactados pela inadimplência dos moradores na época. Atualmente, a instituição conta com 210 funcionários diretos, equipes comerciais em 18 estados e 1,2 mil condomínios como clientes. Recentemente, abriu um escritório em Pinheiros, São Paulo, e planeja uma base no Rio de Janeiro.

Concorrência e mercado

O presidente da fintech reconhece o aumento da concorrência, com a entrada de grandes instituições financeiras no setor. O BTG Pactual, por exemplo, tornou-se sócio da LLZ, empresa de antecipação e recuperação de crédito para condomínios residenciais. A CashMe, fintech da Cyrela, também atua no ramo. Apesar disso, Macedo pondera que o mercado ainda é pouco explorado. “A competição vem crescendo e está cada vez mais acirrada, inclusive com a entrada de grandes instituições financeiras no setor. Mas é um mercado enorme”, avaliou. Segundo ele, a estimativa é que o Brasil gere cerca de R$ 320 bilhões em taxas condominiais em 2026.

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Produtos e modelo de negócio

O carro-chefe da Cerus é a linha “receita garantida”, que antecipa o valor integral da taxa de condomínio na data combinada, independentemente do pagamento dos moradores, em troca de uma taxa de serviço. O segundo produto mais importante é uma linha de crédito para reformas estruturais, modernizações e manutenções emergenciais.

Inadimplência impulsiona demanda

“A inadimplência elevada dos condôminos é um fator importante para a procura pela solução, mas não é o único. Além disso, também temos sido procurados por síndicos de condomínios com inadimplência baixa que buscam evitar desgaste na cobrança dos moradores e garantir previsibilidade de caixa”, disse Macedo. A Cerus emite cerca de 200 mil boletos por mês, representando uma recorrência mensal de aproximadamente R$ 100 milhões em receitas antecipadas.

Estrutura do FIDC e planos de expansão

O FIDC é o veículo que compra e financia os direitos creditórios originados pela Cerus. A empresa cede esses créditos ao fundo, que proporciona capacidade financeira para expansão. O fundo conta com cotistas como a M7 e a Mirabaud — esta última de um family office do grupo internacional Mirabaud, com 200 anos de atuação. A IGC Partners também participou na estruturação e captação. A Cerus estima aplicar os recursos do FIDC em cerca de 18 meses, incluindo avanço para Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, com estrutura comercial local. “A expectativa é iniciar esse movimento até o fim de 2026 ou, no máximo, no início de 2027”, disse Macedo.

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