Não é novidade que, em algumas ocasiões, a preguiça ou a fome falam mais alto. Foi exatamente isso que aconteceu com a jornalista Fernanda Meneguetti, que decidiu pedir comida depois de saber que o chef Cadu Evangelisti estava lançando o serviço de delivery do Broca, um dos restaurantes mais concorridos da Vila Madalena, em São Paulo. O Dan Dan Mian (R$ 62), um macarrão com molho picante de Sichuan, óleo de pimenta, gergelim, soja e carne moída, parecia o pretexto perfeito para testar a novidade.
Uma surpresa saborosa
O pedido, no entanto, não impressionou o chef, que prometeu enviar algumas surpresas para a jornalista testar. Entre elas, a torcida era pela língua, um dos grandes sucessos do restaurante. O prato, que passa 16 horas em sous vide antes de ir para a brasa, ganhou uma nova versão no delivery: um shawarma (R$ 54) generosamente recheado com a língua, salsa anticuchera e chimichurri.
Uma nova fase do Broca
O serviço de entrega marca uma nova fase do Broca, que ocupa uma charmosa residência dos anos 1940, com piso de caquinhos e uma jabuticabeira no quintal. O chef Cadu Evangelisti, ex-cozinheiro de Claude Troisgros e participante dos programas The Taste e Top Chef Brasil, é conhecido por sua cozinha criativa e sem amarras geográficas, que mistura sabores latino-americanos e asiáticos. O sucesso foi tanto que o restaurante precisou expandir: quando o imóvel vizinho ficou vago, o espaço foi dobrado, ganhando área para espera, eventos, estoque e infraestrutura para os funcionários.
“Às vezes, temos 70 pessoas na fila de espera, e isso pode levar mais de três horas”, conta Cadu. A demanda por entregas também crescia, mas o chef não queria simplesmente colocar os pratos do salão em embalagens. “O menu do Broca não é deliverável. Eu não quis criar uma situação em que a pessoa pensasse que era melhor comer no restaurante. Então, resolvemos desenvolver uma proposta específica para o delivery: tigelas e sanduíches”, explica.
Cardápio pensado para viagem
O resultado foi um cardápio pensado desde o início para viajar bem. “O novo mote é ‘em qualquer canto’, porque queremos que a pessoa possa abrir no Parque do Ibirapuera, no escritório ou no sofá, sem precisar finalizar nada nem passar para outro prato”, avisa. A preocupação com a experiência também passa pelas embalagens: os bowls são biodegradáveis e resistentes, os sanduíches chegam protegidos em papel térmico e caixas próprias, e todos os acessórios necessários acompanham o pedido.
Destaques do menu
O menu, enxuto, mantém a personalidade do Broca. “Queremos que a pessoa monte a própria tigela, escolhendo base, proteína, crocante e acompanhamentos. Tem opções mais leves, mais densas, para dias quentes ou frios. Está bem democrático”, diz Cadu.
Entre os destaques, está o Porkimcheese (R$ 52), inspirado no clássico Philly Cheese Steak. A versão da casa substitui a carne bovina por copa-lombo fatiada bem fininha, soma queijo para derreter e kimchi para dar equilíbrio com acidez, umami e picância. O resultado mantém a essência suculenta do original, mas com a irreverência característica do Broca.
Sobremesa imperdível
Para fechar, a torta basca individual (R$ 32) é uma verdadeira nuvem de cream cheese, criada pela chef executiva Gi Gava. “Sabe quando você vai a um churrasco e diz: ‘vou levar a sobremesa!’? Então, no caso dela, a gente já fala antes: ‘a Gi leva a torta basca’”, conta Cadu. A torta, que já viajou para inúmeros almoços e festas, ganhou uma versão para o delivery, acompanhada de compota de laranja e um chilli oil adaptado pela chef Mirela Rafaneli. É um pecado de tão gostosa, ou, como diz Cadu, “deselegante” e “pornograficamente gostosa”.
O delivery funciona exclusivamente pelo iFood, de quarta a domingo, das 18h30 às 23h. Considerando a quantidade de gente que sonha com uma mesa no Broca, faz todo sentido que a cozinha de Cadu Evangelisti tenha encontrado um jeito de chegar a todos os cantos da cidade.



