A Ambev, gigante cervejeira brasileira, alcançou R$ 256 bilhões em valor de mercado, consolidando-se como a quarta empresa mais valiosa da B3, atrás de Petrobras (R$ 538 bilhões), Itaú (R$ 456 bilhões) e Vale (R$ 359 bilhões). O avanço de quase R$ 40 bilhões em cerca de seis meses foi impulsionado pela estratégia de ampliação do portfólio e pela Copa do Mundo de 2026.
Recuperação de mercado e mudança na dinâmica competitiva
O montante adicionado à capitalização da Ambev equivale aproximadamente ao valor de mercado atual da Gerdau (R$ 41 bilhões), multinacional siderúrgica brasileira com presença em sete países e 30 mil funcionários. Nos últimos anos, a lista das empresas que mais adicionavam valor era dominada por bancos e gigantes de commodities, como Petrobras e Vale. O destaque da Ambev sugere uma mudança na dinâmica competitiva do mercado de cerveja no Brasil.
BTG Pactual eleva recomendação após 13 anos
Pela primeira vez em mais de uma década, a Ambev dá sinais de retomada de participação de receita no mercado brasileiro de cerveja, segundo o BTG Pactual. A avaliação levou o banco a elevar a recomendação das ações da companhia para compra pela primeira vez em 13 anos. Os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla afirmaram que a recuperação está ligada à reconstrução do portfólio: “O portfólio é a vantagem competitiva que a concorrência não possui”.
Estratégia de portfólio e expansão de ocasiões de consumo
A Ambev busca ampliar as ocasiões de consumo com marcas premium como Corona e Stella Artois, opções sem álcool e de menor teor calórico, como Skol Zero Zero e Michelob Ultra, e foco em refeições e consumo doméstico. Dados da NielsenIQ compilados pelo Citi mostram que a recuperação ocorre tanto no segmento tradicional quanto no premium. Os ganhos de participação em valor somaram 126 pontos-base ante o último ano, levando a companhia a 59,8% do mercado, enquanto a participação em volume avançou 145 pontos-base, para 59,0%.
Copa do Mundo como catalisador
A Copa do Mundo de 2026 surge como potencial catalisador. Segundo a NielsenIQ, cerca de 12,5% dos gastos da cesta de consumo durante o torneio são destinados à cerveja. A edição reúne fatores favoráveis, como jogos à noite e nos fins de semana, maior duração do evento e maior propensão do público a assistir em casa. O presidente da Ambev, Carlos Lisboa, afirmou em teleconferência de resultados que a Copa terá impacto positivo de 0,3 a 0,4 ponto de crescimento para a indústria. Em entrevista à Broadcast, Lisboa disse: “Temos a possibilidade de usar uma plataforma como a Copa para expandir o nosso portfólio e desenvolver a categoria”. O Citi classificou o Brasil como um dos países que mais associam o consumo de bebidas à Copa e destacou: “A Ambev aparece como a principal beneficiária das tendências de consumo relacionadas ao futebol”.



