Golpe de R$ 500 milhões: empresário foge após festa luxuosa em SP
Golpe de R$ 500 mi: empresário some após festa em SP

Um empresário de 30 anos, Lucas Nery, é suspeito de aplicar um golpe de pirâmide financeira que causou prejuízo de R$ 500 milhões a aproximadamente mil investidores, a maioria residentes em Porto Ferreira, interior de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, Nery desapareceu após realizar uma festa luxuosa com bebidas caras e ostentação em abril.

Vítimas relatam prejuízos e confiança abalada

Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, afirmou à EPTV, afiliada da TV Globo, que perdeu mais de R$ 300 mil. "Me deixei levar e acabei, na esperança de que receberia essas parcelas, eu acabei alocando o capital da minha empresa", disse. Outra vítima contou que, na data prometida para o pagamento, que coincidiu com o sumiço de Lucas, "já não fez o pagamento e começou todo mundo com mensagem para cá, mensagem para lá no WhatsApp".

Esquema prometia retornos vantajosos

A pirâmide organizada por Lucas prometia retorno financeiro vantajoso, atraindo rapidamente novos investidores. A advogada das vítimas, Thais Costa, explicou o mecanismo: "Ele tinha acesso a alguns trabalhadores, alguns créditos que as pessoas tinham direito, tinham dinheiro para receber da Justiça, por exemplo. E aí é possível a compra de créditos trabalhistas em que a pessoa paga um valor menor e a pessoa que seria beneficiada desse valor aceita receber um valor menor para receber antecipadamente".

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O esquema começou a ruir quando os pagamentos atrasaram. Thais Costa acrescentou: "As pessoas faziam muita coisa para tentar entrar nisso, então tinha gente que tinha poupanças ou dinheiro de poupança, ou mesmo fazia empréstimos para poder ter dinheiro para poder investir ali e receber. Então às vezes a pessoa nem tinha, mas vendeu algum bem ou acabou endividada por causa dessa situação".

Empresário foragido e bens bloqueados

A casa de Lucas evidenciava a vida luxuosa que ele, a esposa e o filho levavam. Os bens da família foram bloqueados pela Justiça, mas o empresário segue foragido. O delegado responsável, Alexandre da Silva Leonardo, afirmou: "O paradeiro dele ainda não foi determinado, mas as investigações continuam para dar cumprimento ao mandado de prisão expedido em desfavor dele". A estimativa é de cerca de mil vítimas. "Só dois integrantes da subpirâmide tinham aproximadamente 300 pessoas vinculadas na subpirâmide deles. O Lucas também tinha pessoas que investiam diretamente com ele", detalhou o delegado.

Durante as buscas, a Polícia Civil prendeu o advogado Jorge Nery, pai de Lucas, suspeito de ajudar a dar credibilidade ao golpe usando sindicatos falsos. "O Jorge, quando foi ouvido, ele exerceu o direito de manifestar-se apenas em juízo. Ele não ofertou nenhuma aversão em relação aos fatos", disse Alexandre.

Alerta da polícia e rastreamento do dinheiro

O delegado alertou sobre golpes com promessas vantajosas: "Não existe almoço grátis. Nesse caso, era um investimento que o retorno era acima de 8% ao mês. Se nós levarmos em conta, não existe investimento lícito que é capaz de proporcionar um retorno dessa magnitude". A suspeita é de que R$ 500 milhões tenham sido repassados para contas no exterior e convertidos em criptomoedas. "Foi representado pelo bloqueio dos bens, imóveis, contas bancárias, veículos. Foi autorizado pelo judiciário o bloqueio desses bens", afirmou Alexandre.

Defesa alega que empresário é vítima

O advogado de defesa de Lucas, Antônio Lu Filho, argumentou que o cliente é tão vítima quanto os demais lesados. "O Lucas fez de tudo para honrar todos os pagamentos até abril, ou seja, até abril não tinha ninguém insatisfeito com o investimento, estava todo mundo recebendo e isso é um investimento que já foi feito há pelo menos dois anos atrás e, nesse período todo, todo mundo recebeu". Afirmou que Lucas está em local incerto devido a ameaças: "Ele se encontra nessa situação por esse motivo. E a gente ressalta mais uma vez que estar foragido, hoje, no Brasil não é crime, é um direito natural de qualquer pessoa".

As vítimas agora buscam recomeçar. Uma delas disse: "Eu confio muito no trabalho da minha advogada. A gente está com todos os processos na Justiça, a gente já conseguiu o bloqueio de alguns bens. [...] Então eu confio muito nessa Justiça para receber".

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