A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira uma operação contra bancos e executivos envolvidos no escândalo contábil da Americanas. A ação, autorizada pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, cumpre mandados de busca e apreensão em endereços de instituições financeiras e de ex-diretores da varejista.
Alvos da operação
Entre os alvos estão o BTG Pactual, o Banco Santander e o Banco do Brasil, além de ex-executivos da Americanas, como o ex-CEO Miguel Gutierrez e o ex-diretor financeiro Anna Christina Ramos Saicali. A investigação apura se os bancos tinham conhecimento das fraudes contábeis que resultaram em um rombo de R$ 25 bilhões.
Fraude contábil e omissão
De acordo com a PF, a operação visa coletar provas de que as instituições financeiras ajudaram a Americanas a ocultar passivos e a maquiar seus balanços. As fraudes teriam ocorrido entre 2016 e 2022, período em que a varejista teria omitido contratos de risco sacado e outras operações financeiras.
Reações dos bancos
O BTG Pactual afirmou em nota que "está colaborando com as autoridades" e que "confia na lisura de suas operações". O Santander disse que "não comenta investigações em andamento". Já o Banco do Brasil informou que "presta todas as informações solicitadas" e que "reitera seu compromisso com a transparência".
Impacto no mercado
A operação da PF causou forte reação no mercado financeiro. As ações da Americanas despencaram mais de 10% na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), enquanto os papéis dos bancos envolvidos também registraram quedas. O BTG Pactual recuou 3,5%, o Santander caiu 2,8% e o Banco do Brasil teve desvalorização de 1,2%.
Segundo o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que representa alguns dos investigados, "a operação é desproporcional e busca criminalizar relações comerciais legítimas". Ele afirmou que "os bancos agiram dentro da normalidade do mercado" e que "as fraudes foram cometidas exclusivamente por executivos da Americanas".
Próximos passos
A PF deve analisar o material apreendido e ouvir testemunhas nos próximos meses. O inquérito corre em sigilo, mas a expectativa é que novos desdobramentos ocorram, com possível indiciamento de pessoas físicas e jurídicas. O caso Americanas já é considerado um dos maiores escândalos contábeis do país.



