O Banco do Brasil deve revisar a meta de alcançar uma carteira de sociobioeconomia de R$ 5 bilhões até 2030, após fechar o primeiro trimestre com um saldo de R$ 3,1 bilhões, afirmou o responsável por ESG (sigla para sustentabilidade ambiental, social e de governança) do banco, José Alves. O segmento reúne operações que financiam atividades baseadas no uso sustentável dos recursos naturais.
Meta de impacto social
O banco público também almeja conceder apoio a 1 milhão de pessoas envolvidas na cadeia produtiva da sociobioeconomia, mas ainda está longe desse objetivo. “Hoje, impactamos 160 mil pessoas com todo esse arranjo, mas trabalhamos para buscar o compromisso declarado”, disse Alves à Coluna, durante evento no escritório do BB Securities em Londres.
O volume esperado é parte de uma meta mais ampla de atingir uma carteira de crédito sustentável de R$ 500 bilhões até o final desta década, de um saldo de R$ 421,2 bilhões em março. Embora ainda não haja planos concretos, Alves também não descarta a possibilidade de rever essa meta.
Eventos em Londres
Ao longo desta semana, o BB tem feito uma série de eventos na capital britânica para apresentar iniciativas na área da sustentabilidade, no âmbito da London Climate Week. Ontem, recebeu investidores e instituições de pesquisa para um roadshow de oportunidades do quinto leilão Eco Invest Brasil. Lançado no mês passado pelo governo, busca destravar investimentos privados e atrair capital estrangeiro para projetos sustentáveis.
O certame prevê a criação de seis fundos de inovação, uma linha de crédito corporativo e recursos não reembolsáveis para pesquisa aplicada e empreendedorismo de base tecnológica. O Tesouro aportará R$ 1,5 bilhão em cada um dos fundos, mas as instituições vencedoras poderão oferecer recursos adicionais em até duas vezes esse valor.
Projeto Antares
Já nesta terça-feira, 23, o BB anunciou que será um dos apoiadores do Projeto Antares, iniciativa estruturada pela empresa Carbonext para expandir a geração de créditos de carbono na Amazônia. O objetivo é alcançar até 5 milhões de hectares sob gestão até 2030, com produção anual estimada de 7,5 milhões de créditos de carbono e receita líquida de cerca de US$ 50 milhões por ano.
Os créditos de carbono são certificados equivalentes à redução ou remoção de dióxido de carbono (CO²) da atmosfera. No Brasil, o mercado é regulamentado pela Lei 15.042, de 2024, que institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). O mecanismo, porém, entrará em operação plena apenas em 2030.
Continuidade da agenda
Embora o BB tenha avançado nas pautas de sustentabilidade nos últimos anos, a incerteza sobre as eleições também levanta dúvidas em relação à continuidade da agenda, uma vez que o governo é o controlador do banco. José Alves, porém, diz não ver preocupação sobre eventuais mudanças nas diretrizes, que estão incorporadas na estratégia de longo prazo. “Essa não é uma pauta de governo A ou B”, garante.



